Sobre os crimes de um “antropólogo” canalha



Resposta possível à "lógica e inequívoca interpretação antropológica" do missionário antropólogo Edward Luz


Por Leandro Mahalem de Lima (doutorando em antropologia USP)

Esta é uma resposta à carta de autoria de Edward Luz, publicada na “Gazeta de Santarém” no início de março deste ano (Ed. 01/03/2013; Geral, P. 10)2. Esta carta, com ares de parecer técnico, trata de suposta farsa nos processos políticos de afirmação de identidades indígenas, mobilizados por diversas populações ribeirinhas que habitam a região do Baixo Tapajós e Arapiuns; situada no município de Santarém, centro-oeste do Pará.

Antes de entrar na “polêmica antropológica” que Edward Luz levanta ao público, apresento rapidamente algumas notas em relação à sua trajetória, com o objetivo de situar, parcialmente, o lugar de onde ele fala. Para fazer esta breve reconstrução de sua biografia, que está longe de meus principais interesses, parto fundamentalmente de duas reportagens publicadas na revista Rolling Stone Brasil pelo jornalista investigativo Felipe Milanéz (Ed. 49, out. 2010 e Ed. 63, dez. 2011).

Milanéz conta que Luz é um "jovem líder evangélico na faixa de 30 anos, casado e pai de família, filho do pastor e presidente da Missão Novas Tribos do Brasil e formado em antropologia pela Universidade de Brasília". Alguém que "nasceu e cresceu em um berço missionário", como o próprio relatou ao repórter.

Em 1986, quando ainda era criança, esteve presente na trágica expedição liderada por seu pai entre os Zo'é, que redundou na morte por epidemias de cerca de 30% desta população “isolada” falante de uma língua Tupi

Atualmente, Edward Luz sucede seu pai na presidência da Missão Novas Tribos do Brasil, que é acusada de genocídio pela FUNAI no “caso Zo’é”. Como descreve Milanéz, a organização transnacional que Edward Luz dirige no Brasil é apenas uma entre várias missões, altamente capitalistas, orientadas à pregação de uma leitura estreita e radical do evangelho entre todas "almas condenadas do planeta".

Tanto pela conduta autoritária e preconceituosa, quanto pelas conseqüências nefastas que estas missões historicamente deixam em seu rastro, a FUNAI os proibiu de ingressar em Terras Indígenas habitadas por povos "isolados". Há tempos Edward Luz e sua organização mantém recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra esta proibição.

LEIA O DOCUMENTO NA ÍNTEGRA:
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