evc necessário: para iniciados em antropologia

Eduardo Viveiros de Catro é um dos principais antropólogos do mundo: sua antropologia é citada em vários referenciais bibliográficos de disciplinas, dissertações e teses: discutido, avaliado, replicado, homenageado, premiado. Um pensador do calibre dos seus antigos mestres, e que avança por águas cada vez mais claras. O novo número de Mana traz um artigo com seu pensamento maduro, crítico e grávido de várias lições novas de antropologia, nos dá a sensação de estar diante do grande xamã da antropologia feita no Brasil.

        “Sou antropólogo de formação e profissão, com alguma experiência na área das civilizações nativas americanas, especialmente da Amazônia. Nos últimos anos, tendo, ao que tudo indica, atingido o que os cientistas chamam de filosopausa (fim do período “produtivo”, no sentido empresarial do termo, começo de uma etapa de retrospecção marcada por certa elocução sapiencial), venho buscando refletir sobre as implicações filosóficas da antropologia como disciplina, explorando as transições e as transações entre ela e certos ramos da filosofia, em particular a metafísica, especulativa ou experimental. A palavra não nos deve assustar; de uns tempos para cá, a metafísica voltou a ser uma ocupação muito respeitável, o que é possivelmente um sintoma da crise existencial — já ia dizer, da crise metafísica — que se abate sobre os proprietários nominais do planeta, titulares do direito ao uso e abuso da palavra antropologia e helenismos conexos (economia, política, filosofia etc.).”

“Queremos saber o que é próximo do humano, o que é próprio do vivente em geral, o que é próprio do existente. O que é, enfim, o comum. Aqui também há muito que aprender com a “filosofia deles” — com as metafísicas indígenas, que afirmam a humanidade como condição original comum da humanidade e da animalidade, antes que o contrário, como em nossa vulgata evolucionista, e que, ao princípio solipsista e dualista do “penso, logo existo”, contrapõem o pan-psiquismo perspectivista do “existe, logo pensa”, que instaura o pensamento imediatamente no elemento da alteridade e da relação, fazendo-o depender da realidade sensível do outro. Uma grande transformação. As transformações por que passa a disciplina antropológica refletem transformações na nossa antropologia, entenda-se, no modo de ser da nossa espécie, de sua ontologia. A disciplina está em mudança não só porque o logos não é mais o que foi, mas porque o anthropos não será mais o que é.”

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 “Transformação” na antropologia, transformação da “antropologia”

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