o fim da antropologia

Texto com título provocante mas extremamente lúcido e animador. A antropologia tem ainda um longo caminho a percorrer, principalmente sob o sol do conceito wagniano de invenção. Uma crítica ao A Invenção da Cultura (Roy Wagner) escrita por Marcio Goldman para a Revista Novos Estudos CEBRAP (ed 04/2011) é um ótimo caminho para quem está lendo, ou para quem quer ampliar o olhar sobre essa obra seminal. Goldman traz a tona o parentesco de A Interpretação das Culturas (Geertz), Cultura e Razão Prática (Sahlins) e A Invenção da Cultura (Wagner). Logo no início Goldman nos alerta sobre a mudança no debate: “Nem interpretação, nem simbolização, o conceito central do livro de Wagner, claro, é o de invenção”. Goldman afirma que “Wagner é provavelmente o primeiro antropólogo a fazer da vida (e não da evolução, história, função, estrutura, cognição…) o referente último do trabalho antropológico (…) funda uma espécie de vitalismo antropológico” e que é “nesse sentido que poderíamos dizer que Wagner elabora uma noção de cultura propriamente cultural, ao estabelecer que dela faz parte intrínseca e constitutiva a explicitação de que a noção de cultura é ela mesma um artefato cultural, ou seja, produto de um ponto de vista cultural específico — o nosso”. A crítica finalmente recusa, com Wagner, o fim da teoria social (no sentido das grandes sínteses), pois “como a A invenção da cultura não se cansa de demonstrar, todo fim é a ocasião da invenção de um novo começo. Creio que nisso consiste a aposta de Roy Wagner”. Depois da leitura dessa crítica temos a impressão de que os sítios estão abertos a espera de novas escavações, mas com o cuidado arqueológico de não quebrar as peças criativas que comandam o jogo da invenção.

A INVENÇÃO DA CULTURA
de Roy Wagner. Trad. Marcela Coelho de Souza e Alexandre Morales. São Paulo: Cosac Naify, 2010. 253 pp.

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