o que as crianças podem fazer pela antropologia?

Neste texto pretendo mostrar como o estudo das crianças pode conduzir a uma revisão de conceitos vitais da história da disciplina antropológica. Mais especificamente, tratarei do conceito de cultura e seu correlato, o conceito de sociedade. Para essa discussão lançarei mão dos estudos feitos pelas antropólogas Marylin Strathern e Christina Toren. Complementariamente, ao se questionar a validade e pertinência dos conceitos de sociedade e cultura, Tim Ingold pode trazer contribuições para o debate na medida em que introduz o componente biológico como indispensável para se compreender a cultura (Ingold, 2000). Para contrastá-lo, lançarei mão do pensamento Thomas Csordas (1990, 2002). Retomarei também a antropóloga cuja obra foi, em grande medida, dedicada à pesquisa sobre (e com) crianças, Margaret Mead, para pensar como ela se posiciona nesse debate. Apesar de embaladas em conceitos considerados antigos – isto é, “a cultura molda”, “a cultura age” –, as ideias de Mead, argumentarei, estão embebidas em uma vitalidade que pode ser atualizada. Embora reconhecendo que são representantes de paradigmas distintos e, em certa medida, tidos como incompatíveis, gostaria de pensar sua obra em paralelo à obra de Tim Ingold. Enfim, a ideia que permeia este artigo é a de que o chamado mundo infantil ou mundo da criança é um campo interessante para se discutir teoria antropológica. Veremos o porquê.

Para ler o artigo na íntegra: http://www.scielo.br/pdf/ha/v16n34/07.pdf

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