segunda-feira, 25 de abril de 2016

os involuntários da pátria

OS INVOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA
por Eduardo Viveiros De Castro

Aula pública durante o ato Abril Indígena, Cinelândia, Rio de Janeiro 20/04/2016


Hoje os que se acham donos do Brasil — e que o são, em ultimíssima análise, porque os deixamos se acharem, e daí ao serem foi um pulo (uma carta régia, um tiro, um libambo, uma PEC) — preparam sua ofensiva final contra os índios. Há uma guerra em curso contra os povos índios do Brasil, apoiada abertamente por um Estado que teria (que tem) por obrigação constitucional proteger os índios e outras populações tradicionais, e que seria (que é) sua garantia jurídica última contra a ofensiva movida pelos tais donos do Brasil, a saber, os “produtores rurais” (eufemismo para “ruralistas”, eufemismo por sua vez para “burguesia do agronegócio”), o grande capital internacional, sem esquecermos a congenitamente otária fração fascista das classes médias urbanas. Estado que, como vamos vendo, é o aliado principal dessas forças malignas, com seu triplo braço “legitimamente constituído”, a saber, o executivo, o legislativo e o judiciário.

Mas a ofensiva não é só contra os índios, e sim contra muito outros povos indígenas. Devemos começar então por distinguir as palavras “índio” e “indígena”, que muitos talvez pensem ser sinônimos, ou que “índio” seja só uma forma abreviada de “indígena”. Mas não é. Todos os índios no Brasil são indígenas, mas nem todos os indígenas que vivem no Brasil são índios. Índios são os membros de povos e comunidades que têm consciência — seja porque nunca a perderam, seja porque a recobraram — de sua relação histórica com os indígenas que viviam nesta terra antes da chegada dos europeus. Foram chamados de “índios” por conta do famoso equívoco dos invasores que, ao aportarem na América, pensavam ter chegado na Índia.

“Indígena”, por outro lado, é uma palavra muito antiga, sem nada de “indiana” nela; significa “gerado dentro da terra que lhe é própria, originário da terra em que vive” (1). Há povos indígenas no Brasil, na África, na Ásia, na Oceania, e até mesmo na Europa. O antônimo de “indígena” é “alienígena”, ao passo que o antônimo de índio, no Brasil, é “branco”, ou melhor, as muitas palavras das mais de 250 línguas índias faladas dentro do território brasileiro que se costumam traduzir em português por “branco”, mas que se refere a todas aquelas pessoas e instituições que não são índias. Essas palavras indígenas têm vários significados descritivos, mas um dos mais comuns é “inimigo”, como no caso do yanomami ‘napë’, do kayapó ‘kuben’ ou do araweté ‘awin’.

Ainda que os conceitos índios sobre a inimizade, ou condição de inimigo, sejam bastante diferentes dos nossos, não custa registrar que a palavra mais próxima que temos para traduzir diretamente essas palavras indígenas seja “inimigo”. Durmamos com essa. Mas isso quer dizer então que todos as pessoas nascidas aqui nesta terra são indígenas do Brasil? Sim e não. Sim no sentido etimológico informal abonado pelos dicionários: “originário do país etc. em que se encontra, nativo” (ver nota 1, supra). Um colono de ‘origem’ (e língua) alemã de Pomerode é “indígena” do Brasil porque nasceu em uma região do território político epônimo, assim como são indígenas um sertanejo dos semi-árido nordestino, um agroboy de Barretos ou um corretor da Bolsa de São Paulo. Mas não, nem o colono, nem o agroboy nem o corretor de valores são indígenas — perguntem a eles…

Eles são “brasileiros”, algo muito diferente de ser “indígena”. Ser brasileiro é pensar e agir e se considerar (e talvez ser considerado) como “cidadão”, isto é, como uma pessoa definida, registrada, vigiada, controlada, assistida — em suma, pesada, contada e medida por um Estado-nação territorial, o “Brasil”. Ser brasileiro é ser (ou dever-ser) cidadão, em outras palavras, ‘súdito’ de um Estado ‘soberano’, isto é, transcendente. Essa condição de súdito (um dos eufemismos de súdito é “sujeito [de direitos]“) não tem absolutamente nada a ver com a relação indígena vital, originária, com a terra, com o lugar em que se vive e de onde se tira seu sustento, onde se ‘faz a vida’ junto com seus parentes e amigos.

Ser indígena é ter como referência primordial a relação com a terra em que nasceu ou onde se estabeleceu para fazer sua vida, seja ela uma aldeia na floresta, um vilarejo no sertão, uma comunidade de beira-rio ou uma favela nas periferias metropolitanas. É ser parte de uma comunidade ligada a um lugar específico, ou seja, é integrar um ‘povo’. Ser cidadão, ao contrário, é ser parte de uma ‘população’ controlada (ao mesmo tempo “defendida” e atacada) por um Estado. O indígena olha para baixo, para a Terra a que é imanente; ele tira sua força do chão. O cidadão olha para cima, para o Espírito encarnado sob a forma de um Estado transcendente; ele recebe seus direitos do alto.

“Povo” só ‘(r)existe’ no plural — povoS. Um povo é uma multiplicidade singular, que supõe outros povos, que habita uma terra pluralmente povoada de povos. Quanto perguntaram ao escritor Daniel Munduruku se ele “enquanto índio etc.”, ele cortou no ato: “não sou índio; sou Munduruku”. Mas ser Munduruku significa saber que existem Kayabi, Kayapó, Matis, Guarani, Tupinambá, e que esses não são Munduruku, mas tampouco são Brancos. Quem inventou os “índios” como categoria genérica foram os grandes especialistas na generalidade, os Brancos, ou por outra, o Estado branco, colonial, imperial, republicano. O Estado, ao contrário dos povos, só consiste no singular da própria universalidade.

O Estado é sempre único, total, um universo em si mesmo. Ainda que existam muitos Estados-nação, cada um é uma encarnação do Estado Universal, é uma hipóstase do Um. O povo tem a forma do Múltiplo. Forçados a se descobrirem “índios”, os índios brasileiros descobriram que haviam sido ‘unificados’ na generalidade por um poder transcendente, unificados para melhor serem des-multiplicados, homogeneizados, abrasileirados. O pobre é antes de mais nada alguém de quem se tirou alguma coisa. Para transformar o índio em pobre, o primeiro passo é transformar o Munduruku em índio, depois em índio administrado, depois em índio assistido, depois em índio sem terra.

E não obstante, os povos indígenas originários, em sua multiplicidade irredutível, que foram indianizados pela generalidade do conceito para serem melhor desindianizados pelas armas do poder, sabem-se hoje alvo geral dessas armas, e se unem contra o Um, revidam dialeticamente contra o Estado aceitando essa generalidade e cobrando deste os direitos que tal generalidade lhes confere, pela letra e o espírito da Constituição Federal de 1988. E invadem o Congresso. Nada mais justo que os invadidos invadam o quartel-general dos invasores. Operação de guerrilha simbólica, sem dúvida, incomensurável à guerra massiva real (mas também simbólica) que lhes movem os invasores. Mas os donos do poder vêm acusando o golpe, e correm para viabilizar seu contragolpe. Para usarmos a palavra do dia, golpe é o que se prepara nos corredores atapetados de Brasília contra os índios, sob a forma, entre outras, da PEC 215.

Os índios são os primeiros indígenas do Brasil. As terras que ocupam não são sua propriedade — não só porque os territórios indígenas são “terras da União”, mas porque são eles que pertencem à terra e não o contrário. Pertencer à terra, em lugar de ser proprietário dela, é o que define o indígena. E nesse sentido, muitos povos e comunidades no Brasil, além dos índios, podem se dizer, porque se sentem, indígenas muito mais que cidadãos. Não se reconhecem no Estado, não se sentem representados por um Estado dominado por uma casta de poderosos e de seus mamulengos e jagunços aboletados no Congresso Nacional demais instâncias dos Três Poderes.

Os índios são os primeiros indígenas a não se reconhecerem no Estado brasileiro, por quem foram perseguidos durante cinco séculos: seja diretamente, pelas “guerras justas” do tempo da colônia, pelas leis do Império, pelas administrações indigenistas republicanas que os exploraram, maltrataram, e, muito timidamente, às vezes os defenderam (quando iam longe demais, o Estado lhes cortava as asinhas); seja indiretamente, pelo apoio solícito que o Estado sempre deu a todas as tentativas de desindianizar o Brasil, varrer a terra de seus ocupantes originários para implantar um modelo de civilização que nunca serviu a ninguém senão aos poderosos. Um modelo que continua ‘essencialmente’ o mesmo há quinhentos anos.

O Estado brasileiro e seus ideólogos sempre apostaram que os índios iriam desaparecer, e quanto mais rapidamente melhor; fizeram o possível e o impossível, o inominável e o abominável para tanto. Não que fosse preciso sempre exterminá-los fisicamente para isso — como sabemos, porém, o recurso ao genocídio continua amplamente em vigor no Brasil —, mas era sim preciso de qualquer jeito desindianizá-los, transformá-los em “trabalhadores nacionais” (2). Cristianizá-los, “vesti-los” (como se alguém jamais tenha visto índios ‘nus’, esses mestres do adorno, da plumária, da pintura corporal), proibir-lhes as línguas que falam ou falavam, os costumes que os definiam para si mesmos, submetê-los a um regime de trabalho, polícia e administração. Mas, acima de tudo, cortar a relação deles com a terra. Separar os índios (e todos os demais indígenas) de sua relação orgânica, política, social, vital com a terra e com suas comunidades que vivem da terra — essa separação sempre foi vista como ‘condição necessária’ para transformar o índio em cidadão. Em cidadão pobre, naturalmente. Porque sem pobres não há capitalismo, o capitalismo precisa de pobres, como precisou (e ainda precisa) de escravos. Transformar o índio em pobre. Para isso, foi e é preciso antes de mais nada separá-lo de sua terra, da terra que o ‘constitui’ como indígena.

Nós, os brancos que aqui estamos sentados na escadaria da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em 20 de abril de 2016, nós nos sentimos indígenas. Não nos sentimos cidadãos, não nos vemos como parte de uma população súdita de um Estado que nunca nos representou, e que sempre tirou com uma mão o que fingia dar com a outra. Nós os “brancos” que aqui estamos, bem como diversos outros povos indígenas que vivem no Brasil: camponeses, ribeirinhos, pescadores, caiçaras, quilombolas, sertanejos, caboclos, curibocas, negros e “pardos” moradores das favelas que cobrem este país. Todos esses são ‘indígenas’, porque se sentem ligados a um lugar, a um pedaço de terra — por menor ou pior que seja essa terra, do tamanho do chão de um barraco ou de uma horta de fundo de quintal — e a uma comunidade, muito mais que cidadãos de um Brasil Grande que só engrandece o tamanho das contas bancárias dos donos do poder.

A terra é o corpo dos índios, os índios são parte do corpo da Terra. A relação entre terra e corpo é crucial. A separação entre a comunidade e a terra tem como sua face paralela, sua sombra, a separação entre as pessoas e seus corpos, outra operação indispensável executada pelo Estado para criar populações administradas. Pense-se nos LGBT, separados de sua sexualidade; nos negros, separados da cor de sua pele e de seu passado de escravidão, isto é, de despossessão corporal radical; pense-se nas mulheres, separadas de sua autonomia reprodutiva. Pense-se, por fim mas não por menos abominável, no sinistro elogio público da tortura feito pelo canalha Jair Bolsonaro — a tortura, modo último e mais absoluto de separar uma pessoa de seu corpo. Tortura que continua — que sempre foi — o método favorito de separação dos pobres de seus corpos, nas delegacias e presídios deste pais tão “cordial”.

Por isso tudo a luta dos índios é também a nossa luta, a luta indígena. Os índios são nosso exemplo. Um exemplo de ‘rexistência’ secular a uma guerra feroz contra eles para desexistí-los, fazê-los desaparecer, seja matando-os pura e simplesmente, seja desindianizando-os e tornando-os “cidadãos civilizados”, isto é, brasileiros pobres, sem terra, sem meios de subsistência próprios, forçados a vender seus braços — seus corpos — para enriquecer os pretensos novos donos da terra.

Os índios precisam da ajuda dos brancos que se solidarizam com sua luta e que reconhecem neles o ‘exemplo’ maior da luta perpétua entre os povos indígenas (todos os ‘povos’ indígenas a que me referi mais acima: o povo LGBT, o povo negro, o povo das mulheres) e o Estado nacional. Mas nós, os “outros índios”, aqueles que não são índios mas se sentem muito mais ‘representados’ pelos povos índios que pelos políticos que nos governam e pelo aparelho policial que nos persegue de perto, pelas políticas de destruição da natureza levadas a ferro e a fogo por todos os governos que se sucedem neste país desde sempre — nós outros também precisamos da ajuda, e do exemplo, dos índios, de suas táticas de guerrilha simbólica, jurídica, mediática, contra o Aparelho de Captura do Estado-nação. Um Estado que vai levando até às últimas consequências seu projeto de destruição do território que reivindica como seu. Mas a terra é dos povos.

Concluo com uma alusão ao nome de uma rua nn muito distante desta Cinelândia onde estamos agora. Em Botafogo existe, como vocês todos sabem, a Rua Voluntários da Pátria. Seu nome provém de uma iniciativa empreendida pelo Império em sua guerra genocida (e etnocida) contra o Paraguai — o Brasil sempre foi bom nisso de matar índios, do lado de cá ou de lá de suas fronteiras. Carente de tropas para enfrentar o exército guarani, o Governo imperial criou corpos militares de voluntários, “apelando para os sentimentos do povo brasileiro”, como escreve o verbete da Wikipedia sobre a iniciativa. Pedro II apresentou-se em Uruguaiana como o “primeiro voluntário da pátria”. Não demorou muito e o patriotismo dos voluntários da pátria arrefeceu; logo o Governo central passou a exigir dos presidentes das províncias que recrutasse cotas de “voluntários”. A solução para esta lamentável “falta de patriotismo” dos brancos brasileiros foi, como se sabe, mandar milhares de escravos negros como voluntários. Foram eles que mataram e morreram na Guerra do Paraguai. Obrigados, escusado dizer. Voluntários involuntários.

Pois bem. Os índios foram e são os primeiros Involuntários da Pátria. Os povos indígenas originários viram cair-lhes sobre a cabeça uma “Pátria” que não pediram, e que só lhes trouxe morte, doença, humilhação, escravidão e despossessão. Nós aqui nos sentimos como os índios, como todos os indígenas do Brasil: como formando o enorme contingente de Involuntários da Pátria. Os involuntários de uma pátria que não queremos, de um governo (ou desgoverno) que não nos representa e nunca nos representou. Nunca ninguém os representou, àqueles que se sentem indígenas. Só nós mesmos podemos nos representar, ou talvez, só nós podemos dizer que representamos a terra — esta terra. Não a “nossa terra”, mas a terra de onde somos, de quem somos. Somos os Involuntários da Pátria. Porque ‘outra’ é a nossa vontade.

* * *

Notas:

1 “A palavra ‘indígena’ vem do «lat[im] indigĕna,ae “natural do lugar em que vive, gerado dentro da terra que lhe é própria”, derivação do latim indu arcaico (como endo) > latim] clássico in- “movimento para dentro, de dentro” + -gena derivação do rad[ical do verbo latino gigno, is, genŭi, genĭtum, gignĕre “gerar”; Significa “relativo a ou população autóctone de um país ou que neste se estabeleceu anteriormente a um processo colonizador” …; por extensão de sentido (uso informal), [significa] “que ou o que é originário do país, região ou localidade em que se encontra; nativo”. (Dicionário Eletrônico Houaiss)

2 O primeiro nome do SPI republicano (Serviço de Proteção aos Índios) era SPILTN: Serviço de Proteção aos Índios e Localização dos Trabalhadores Nacionais. Foi SPITLN de 1910 a 1918, depois só SPI, até virar FUNAI em 1967, ao cabo de uma CPI que revelou uma infinidade de abusos, desmandos, violências variadas, explorações e outras benesses protetoras conferidas pelo Estado.

>>> Texto original clique aqui

sábado, 23 de abril de 2016

ritos corporais entre os Nacirema

por Horace Miner (1976)

O antropólogo está tão familiarizado com a diversidade das formas de comportamento que diferentes povos apresentam em situações semelhantes, que é incapaz de surpreender-se mesmo em face dos costumes mais exóticos. De fato, se nem todas as as combinações logicamente possíveis de comportamento foram ainda descobertas, o antropólogo bem pode conjeturar que elas devam existir em alguma tribo ainda não descrita.

Deste ponto de vista, as crenças e práticas mágicas dos Nacirema apresentam aspectos tão inusitados que parece apropriado descrevê-los como exemplo dos extremos a que pode chegar o comportamento humano. Foi o Professor Linton, em 1936, o primeiro a chamar a atenção dos antropólogos para os rituais dos Nacirema, mas a cultura desse povo permanece insuficientemente compreendida ainda hoje.

Trata-se de um grupo norte-americano que vive no território entre os Cree do Canadá, os Yaqui e os Tarahumare do México, e os Carib e Arawak das Antilhas. Pouco se sabe sobre sua origem, embora a tradição relate que vieram do leste. Conforme a mitologia dos Nacirema, um herói cultural, Notgnihsaw, deu origem à sua nação; ele é, por outro lado, conhecido por duas façanhas de força: ter atirado um colar de conchas, usado pelos Nacirema como dinheiro, através do rio Po- To- Mac e ter derrubado uma cerejeira na qual residiria o Espírito da Verdade.

A cultura Nacirema caracteriza-se por uma economia de mercado altamente desenvolvida, que evolui em um rico habitat. Apesar do povo dedicar muito do seu tempo às atividades econômicas, uma grande parte dos frutos deste trabalho e uma considerável porção do dia são dispensados em atividades rituais. O foco destas atividades é o corpo humano, cuja aparência e saúde surgem como o interesse dominante no ethos deste povo. Embora tal tipo de interesse não seja, por certo, raro, seus aspectos cerimoniais e a filosofia a eles associadas são singulares.

A crença fundamental subjacente a todo o sistema parece ser a de que o corpo humano é repugnante e que sua tendência natural é para a debilidade e a doença. Encarcerado em tal corpo, a única esperança do homem é desviar estas características através do uso das poderosas influências do ritual e do cerimonial. Cada moradia tem um ou mais santuários devotados a este propósito. Os indivíduos mais poderosos desta sociedade têm muitos santuários em suas casas e, de fato, a alusão à opulência de uma casa, muito freqüentemente, é feita em termos do número de tais centros rituais que possua. Muitas casas são construções de madeira, toscamente pintadas, mas as câmeras de culto das mais ricas têm paredes de pedra. As famílias mais pobres imitam as ricas, aplicando placas de cerâmica às paredes de seu santuário.

Embora cada família tenha pelo menos um de tais santuários, os rituais a eles associados não são cerimônias familiares, mas sim cerimônias privadas e secretas. Os ritos, normalmente, são discutidos apenas com as crianças e, neste caso, somente durante o período em que estão sendo iniciadas em seus mistérios. Eu pude, contudo, estabelecer contato suficiente com os nativos para examinar estes santuários e obter descrições dos rituais.

O ponto focal do santuário é uma caixa ou cofre embutido na parede. Neste cofre são guardados os inúmeros encantamentos e poções mágicas sem os quais nenhum nativo acredita que poderia viver. Tais preparados são conseguidos através de uma serie de profissionais especializados, os mais poderosos dos quais são os médicos-feiticeiros, cujo auxilio deve ser recompensado com dádivas substanciais. Contudo, os médicos-feiticeiros não fornecem a seus clientes as poções de cura; somente decidem quais devem ser seus ingredientes e então os escrevem em sua linguagem antiga e secreta. Esta escrita é entendida apenas pelos médicos-feiticeiros e pelos ervatários, os quais, em troca de outra dadiva, providenciam o encantamento necessário. Os Nacirema não se desfazem do encantamento após seu uso, mas os colocam na caixa-de-encantamento do santuário doméstico. Como tais substâncias mágicas são especificas para certas doenças e as doenças do povo, reais ou imaginárias, são muitas, a caixa-de-encantamentos está geralmente a ponto de transbordar. Os pacotes mágicos são tão numerosos que as pessoas esquecem quais são suas finalidades e temem usá-los de novo. Embora os nativos sejam muito vagos quanto a este aspecto, só podemos concluir que aquilo que os leva a conservar todas as velhas substâncias é a idéia de que sua presença na caixa-de-encantamentos, em frente à qual são efetuados os ritos corporais, irá, de alguma forma, proteger o adorador.

Abaixo da caixa-de-encantamentos existe uma pequena pia batismal. Todos os dias cada membro da família, um após o outro, entra no santuário, inclina sua fronte ante a caixa-de-encantamentos, mistura diferentes tipos de águas sagradas na pia batismal e procede a um breve rito de ablução. As águas sagradas vêm do Templo da Água da comunidade, onde os sacerdotes executam elaboradas cerimônias para tornar o líquido ritualmente puro.

Na hierarquia dos mágicos profissionais, logo abaixo dos médicos-feiticeiros no que diz respeito ao prestígio, estão os especialistas cuja designação pode ser traduzida por "sagrados-homens-da-boca". Os Nacirema têm um horror quase que patológico, e ao mesmo tempo fascinação, pela cavidade bucal, cujo estado acreditam ter uma influência sobre todas as relações sociais. Acreditam que, se não fosse pelos rituais bucais seus dentes cairiam, seus amigos os abandonariam e seus namorados os rejeitariam. Acreditam também na existência de uma forte relação entre as características orais e as morais: Existe, por exemplo, uma ablução ritual da boca para as crianças que se supõe aprimorar sua fibra moral.

O ritual do corpo executado diariamente por cada Nacirema inclui um rito bucal. Apesar de serem tão escrupulosos no cuidado bucal, este rito envolve uma prática que choca o estrangeiro não iniciado, que só pode considerá-lo revoltante. Foi-me relatado que o ritual consiste na inserção de um pequeno feixe de cerdas de porco na boca juntamente com certos pós mágicos, e em movimentá-lo então numa série de gestos altamente formalizados. Além do ritual bucal privado, as pessoas procuram o mencionado sacerdote-da-boca uma ou duas vezes ao ano. Estes profissionais têm uma impressionante coleção de instrumentos, consistindo de brocas, furadores, sondas e aguilhões. O uso destes objetos no exorcismo dos demônios bucais envolve, para o cliente, uma tortura ritual quase inacreditável. O sacerdote-da-boca abre a boca do cliente e, usando os instrumentos acima citados, alarga todas as cavidades que a degeneração possa ter produzido nos dentes. Nestas cavidades são colocadas substâncias mágicas. Caso não existam cavidades naturais nos dentes, grandes seções de um ou mais dentes são extirpadas para que a substância natural possa ser aplicada. Do ponto de vista do cliente, o propósito destas aplicações é tolher a degeneração e atrair amigos. O caráter extremamente sagrado e tradicional do rito evidencia-se pelo fato de os nativos voltarem ao sacerdote-da-boca ano após ano, não obstante o fato de seus dentes continuarem a degenerar.

Esperemos que quando for realizado um estudo completo dos Nacirema haja um inquérito cuidadoso sobre a estrutura da personalidade destas pessoas, Basta observar o fulgor nos olhos de um sacerdote-da- boca, quando ele enfia um furador num nervo exposto, para se suspeitar que este rito envolve certa dose de sadismo. Se isto puder ser provado, teremos um modelo muito interessante, pois a maioria da população demonstra tendências masoquistas bem definidas.

Foi a estas tendências que o Prof. Linton (1936) se referiu na discussão de uma parte específica dos ritos corporal que é desempenhada apenas por homens. Esta parte do rito envolve raspar e lacerar a superfície da face com um instrumento afiado. Ritos especificamente femininos têm lugar apenas quatro vezes durante cada mês lunar, mas o que lhes falta em freqüência é compensado em barbaridade. Como parte desta cerimônia, as mulheres usam colocar suas cabeças em pequenos fornos por cerca de uma hora. O aspecto teoricamente interessante é que um povo que parece ser preponderantemente masoquista tenha desenvolvido especialistas sádicos.

Os médicos-feiticeiros têm um templo imponente, ou latipsoh, em cada comunidade de certo porte. As cerimônias mais elaboradas, necessárias para tratar de pacientes muito doentes, só podem ser executadas neste templo. Estas cerimônias envolvem não apenas o taumaturgo, mas um grupo permanente de vestais que, com roupas e toucados específicos, movimentam-se serenamente pelas câmaras do templo.

As cerimonias latipsoh são tão cruéis que é de surpreender que uma boa proporção de nativos realmente doentes que entram no templo se recuperem. Sabe-se que as crianças pequenas, cuja doutrinação ainda é incompleta, resistem às tentativas de levá-las ao templo, porque "é lá que se vai para morrer". Apesar disto, adultos doentes não apenas querem mas anseiam por sofrer os prolongados rituais de purificação, quando possuem recursos para tanto. Não importa quão doente esteja o suplicante ou quão grave seja a emergência, os guardiões de muitos templos não admitirão um cliente se ele não puder dar uma dádiva valiosa para a administração. Mesmo depois de ter-se conseguido a admissão, e sobrevivido às cerimônias, os guardiães não permitirão ao neófito abandonar o local se ele não fizer outra doação.

O suplicante que entra no templo é primeiramente despido de todas as suas roupas. Na vida cotidiana o Nacirema evita a exposição de seu corpo e de suas funções naturais. As atividades excretoras e o banho, enquanto parte dos ritos corporais, são realizados apenas no segredo do santuário doméstico. Da perda súbita do segredo do corpo quando da entrada no latipsoh, podem resultar traumas psicológicos. Um homem, cuja própria esposa nunca o viu em um ato excretor, acha-se subitamente nu e auxiliado por uma vestal, enquanto executa suas funções naturais num recipiente sagrado. Este tipo de tratamento cerimonial é necessário porque os excreta são usados por um adivinho para averiguar o curso e a natureza da enfermidade do cliente. Clientes do sexo feminino, por sua vez, têm seus corpos nus submetidos ao escrutínio, manipulação e aguilhadas dos médicos-feiticeiros.

Poucos suplicantes no templo estão suficientemente bons para fazer qualquer coisa além de jazer em duros leitos. As cerimônias diárias, como os ritos do sacerdote-da-boca, envolvem desconforto e tortura. Com precisão ritual as vestais despertam seus miseráveis fardos a cada madrugada e os rolam em seus leitos de dor enquanto executam abluções, com os movimentos formais nos quais estas virgens são altamente treinadas. Em outras horas, elas inserem bastões mágicos na boca do suplicante ou o forçam a engolir substâncias que se supõe serem curativas.
De tempos em tempos o médico-feiticeiro vem ver seus clientes e espeta agulhas magicamente tratadas em sua carne. O fato de que estas cerimônias do templo possam não curar, e possam mesmo matar o neófito, não diminui de modo algum a fé das pessoas no médico feiticeiro.

Resta ainda um outro tipo de profissional, conhecido como um "ouvinte". Este "doutor-bruxo" tem o poder de exorcizar os demônios que se alojam nas cabeças das pessoas enfeitiçadas. Os Nacirema acreditam que os pais enfeitiçam seus próprios filhos; particularmente, teme-se que as mães lancem uma maldição sobre as crianças enquanto lhes ensinam os ritos corporais secretos. A contra-magia do doutor bruxo é inusitada por sua carência de ritual. O paciente simplesmente conta ao "ouvinte" todos os seus problemas e temores, principalmente pelas dificuldades iniciais que consegue rememorar. A memória demonstrada pelos Nacirema nestas sessões de exorcismo é verdadeiramente notável. Não é incomum um paciente deplorar a rejeição que sentiu, quando bebê, ao ser desmamado, e uns poucos indivíduos reportam a origem de seus problemas aos feitos traumáticos de seu próprio nascimento.

Como conclusão, deve-se fazer referência a certas práticas que têm suas bases na estética nativa, mas que decorrem da aversão profunda ao corpo natural e suas funções. Existem jejuns rituais para tornar magras pessoas gordas, e banquetes cerimoniais para tornar gordas pessoas magras. Outros ritos são usados para tornar maiores os seios das mulheres que os têm pequenos e torná-los menores quando são grandes. A insatisfação geral com o tamanho do seio é simbolizada no fato de a forma ideal estar virtualmente além da escala de variação humana. Umas poucas mulheres, dotadas de um desenvolvimento hipermamário quase inumano, são tão idolatradas que podem levar uma boa vida simplesmente indo de cidade em cidade e permitindo aos embasbacados nativos, em troca de uma taxa, contemplarem-nos.

Já fizemos referência ao fato de que as funções excretoras são ritualizadas, rotinizadas e relegadas ao segredo. As funções naturais de reprodução são, da mesma forma, distorcidas. O intercurso sexual é tabu enquanto assunto, e é programado enquanto ato. São feitos esforços para evitar a gravidez, pelo uso de substâncias mágicas ou pela limitação do intercurso sexual a certas fases da lua. A concepção é na realidade, pouco freqüente. Quando grávidas as mulheres vestem-se de modo a esconder o estado. O parto tem lugar em segredo, sem amigos ou parentes para ajudar, e a maioria das mulheres não amamenta seus rebentos.

Nossa análise da vida ritual dos Nacirema certamente demonstrou ser este povo dominado pela crença na magia. É difícil compreender como tal povo conseguiu sobreviver por tão longo tempo sob a carga que impôs sobre si mesmo. Mas até costumes tão exóticos quanto estes aqui descritos ganham seu real significado quando são encarados sob o ângulo relevado por Malinowski, quando escreveu:

Olhando de longe e de cima de nossos altos postos de segurança na civilização desenvolvida, é fácil perceber toda a crueza e irrelevância da magia. Mas sem seu poder de orientação, o homem primitivo não poderia ter dominado, como o fêz, suas dificuldades práticas, nem poderia ter avançado aos estágios mais altos da civilização.

Horace Miner
In: A.K. Rooney e P.L. de Vore (orgs)
YOU AND THE OTHERS - Readings in Introductory Anthropology
(Cambridge, Erlich)
1976

(nota: para quem não percebeu, Nacirema é American, de trás para a frente)

quarta-feira, 2 de março de 2016

"Quinhentos Anos de Contato": Por Uma Teoria Etnográfica da (Contra)Mestiçagem

É com muita satisfação que publicamos na seção Documenta de Mana a conferência proferida pelo Prof. Marcio Goldman durante seu concurso para Professor Titular do Departamento de Antropologia do Museu Nacional/UFRJ.
A conferência teve lugar no Museu Nacional, no dia 16 de março de 2015, diante da banca examinadora formada pelos professores Otávio Velho, Gemma Orobitg, José Carlos Rodrigues, Pedro Pitarch e Sylvia Caiuby e de uma audiência de colegas, alunos, ex-alunos e muitos outros interessados.
Nela, o autor opta por explorar o que denomina provisoriamente de "relação afroindígena", termo usado para designar os agenciamentos entre afrodescendentes e indígenas no continente americano. Apresentando o que o autor chama de "um caráter incerto e aberto", a conferência oferece-nos a possibilidade de acompanhar o momento de amadurecimento dessa reflexão ainda em curso, não deixando de registrar o quanto ela se ancora em sólida e longa trajetória de pesquisa, formação e orientação. Densidade etnográfica e teórica combinam-se, desse modo, com vivacidade em um texto que coloca sob desconfiança as sínteses e as reduções. Como destaca Goldman, pensar sobre a relação afroindígena é pensar sobre uma relação com "alto potencial de desestabilização do nosso pensamento e que, por isso mesmo, deve estar no coração de uma antropologia que encara as diferenças, que leva a sério o que as pessoas pensam, que é capaz de se manter afastada dos clichês que nos assolam e, assim, pensar diferente".
Para ler o documento completo:
http://www.scielo.br/pdf/mana/v21n3/0104-9313-mana-21-03-00641.pdf

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

2015 – Balanços parciais a partir de perspectivas antropológicas

Com o presente Informativo Especial a Diretoria Políticas da Antropologia, eleita para dirigir a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) no período de 2015-2016, apresenta aos associados nesse início de ano análises sobre o período de 2015, elaboradas pelas comissões, comitês temáticos e representantes da ABA em entidades públicas. Nossa intenção é, além de informar, subsidiar o debate interno à Associação nos temas em que a ABA se vê demandada e se faz presente na esfera pública a partir da atuação de suas comissões e comitês. Trata-se de uma tentativa de expor questões de modo simples e acessível, para além das segmentações temáticas a que nos vemos todos por vezes limitados. É também um estímulo para que tais questões sejam não só matéria de debate político, parte de nossa vida como cidadãos, mas também a que suscitem frentes de investimento intelectual.
       Em termos da conjuntura brasileira, 2015 foi um ano que se iniciou sob o quadro de uma pesada crise política e econômica, num cenário mundial em que guerras, com os deslocamentos populacionais decorrentes, terrorismo, desaceleração e crescente retração das economias se explicitaram no decorrer do período, influindo fortemente em contextos nacionais como o nosso. A “crise” brasileira despontou nos primeiros meses de 2015, com a instalação de fortes e crescentes restrições financeiras, somadas se somam o proclamado “ajuste fiscal” que, na prática, significa menos investimento por parte do governo. A extensão dessas restrições, todavia, só se tornou plenamente conhecida no final do primeiro semestre. No âmbito acadêmico, as repercussões foram abrangentes e com consequências ainda a serem avaliadas. Os cortes abruptos das taxas de bancada das pós-graduações, do financiamento a periódicos –Vibrant (http://www.vibrant.org.br/) tendo sido uma das “vítimas” de exclusões seletivas e discricionárias –, vem repercutindo até esse momento, num início de ano em que pouco se sabe além do crescente panorama de recessão. Mesmo que muitos teimem em achar que os recursos retornarão, e “as coisas serão como sempre foram” – melhor dizendo, como passaram a ser, sobretudo, após o ano de 2004, quando as estatísticas demonstram o início de uma curva ascendente de investimentos federais em ciência, tecnologia e educação –, os indicativos até o momento são de menos recursos e as mesmas exigências das agências de fomento governamentais.
       A “crise” brasileira é, no entanto, mais extensa, pois seja pela não explicitação do contexto de crise econômica durante o período de campanha eleitoral de 2014, seja pela incapacidade de governar com um Legislativo adverso, na prática a administração pública no Brasil parece em estase, à espera de definições, ou tomando medidas paulatinas após o solavanco dos cortes orçamentários. A crise é bastante evidente, por exemplo, na área da cultura, em especial no tocante a aspectos do registro do patrimônio imaterial, como bem aponta o Comitê Patrimônio e Museus.
       Se o espaço propriamente acadêmico se viu impactado pelos cortes orçamentários (que em si demonstram a sabida e, por vezes, denegada dependência dos recursos governamentais), os setores sociais com que os(as) antropólogos(as) têm desenvolvido seus trabalhos viram-se diante do mesmo quadro, intensificado, de violações de direitos que marcou em larga medida os últimos anos. O ano marcou-se pela paralisia dos processos de regularização fundiária de terras indígenas e de quilombos, amplamente judicializados. Mas a explicitação de um quadro crítico e de descumprimento da legislação pertinente não parou por aí. Fomos confrontados com a ruptura da barragem de rejeitos da empresa de mineração Samarco em Mariana, Minas Gerais, e o grave crime contra vidas humanas e o meio ambiente, sem maiores punições ou compensações até o momento. Enquanto isso, no Senado, tramitou em tempo recorde o Projeto de Lei nº 654/2015, de autoria do Senador Romero Jucá, que dispõe “... sobre o procedimento de licenciamento ambiental especial para empreendimentos de infraestrutura considerados estratégicos e de interesse nacional”, e que se acha pronto para apreciação em plenário (leia aqui o texto do PL). Por ele o rito administrativo do licenciamento ambiental, que com suas imperfeições tem salvaguardado populações tradicionais afetadas por grandes projetos de infraestrutura, se vê aligeirado, e tornar-se-á em larga medida um procedimento fictício.  
       Para os povos indígenas, foi no mínimo um ano paradoxal. Por um lado, apesar das amplas movimentações do Abril Indígena, focadas sobretudo na luta contra a aprovação do Proposta de Emenda Constitucional nº 215 de 2000, de autoria do Deputado Almir Sá (RR), que transfere a competência da União na demarcação das terras indígenas para o Congresso Nacional, tornando um processo administrativo de reconhecimento dos direitos originários dos povos indígenas às terras por eles tradicionalmente ocupadas, em matéria de barganha política no Legislativo, que passaria a reconhecer as terras por meio de leis, e possibilita a revisão de terras já demarcadas, os povos indígenas viram a criação de uma comissão especial para sua avaliação que a aprovou (leia aqui a íntegra do texto da PEC). Enquanto isso, em larga medida como fruto do quadro de indefinição fundiária, cresceu a violência sobre os povos indígenas – as regiões do Mato Grosso do Sul e do sul da Bahia sendo das mais evidentes, mas não as únicas –, bem como se agravaram os problemas na área da saúde. Ao mesmo tempo, transcorreu, sob a organização da Fundação Nacional do Índio, o amplo processo de realização da Iª Conferência Nacional de Política Indigenista, realizada de 14 a 17 de dezembro de 2015. 
       Em todos estes cenários viu-se a operação da aliança urdida por setores sociais voltados à exportação decommodities, com amplo investimento financeiro nas campanhas eleitorais de representantes do agronegócio, dos setores de extração mineral e de parlamentares evangélicos, forjou o bloco que tem sido chamado “Bancada BBB” (Boi, Bala, Bíblia), expressão dos interesses mais venais, conservadores e antidemocráticos. O resultado é o perfil da legislatura atual, com parlamentares a um tempo despreparados quanto ao funcionamento da engrenagem legislativa, e de notável má fé quanto aos direitos diferenciados de amplos setores da população. Um dos focos dos parlamentares evangélicos (em aliança com os segmentos conservadores da bancada católica) tem sido o ataque ao reconhecimento de direitos sexuais e reprodutivos. Como exemplo, aqui examinado, dentre outros, tramita o Projeto de Lei nº. 6583/13, que dispõe sobre o Estatuto da Família, com graves consequências diante da realidade social brasileira, em particular (leia aqui a íntegra do PL). Outro foco da bancada BBB se materializou na criação da CPI da Funai e do Incra, na qual esses mesmos setores conservadores – nesse caso capitaneados principalmente por deputados ruralistas da região sul do país e do Mato Grosso – “questionam” não só a atuação destes órgãos, mas também a competência e mesmo a lisura do trabalho antropológico na produção de perícias antropológicas seja sob a forma de “laudos antropológicos” e nos relatórios. Diante desse cenário mais geral e frente aos efeitos da crescente prática desses procedimentos antropológicos fora dos marcos éticos que a ABA tem procurado balizar, realizou-se em Brasília, em 17 e 18 de agosto de 2015, uma oficina para a produção do documento intitulado Protocolo de Brasília. Laudos antropológicos: condições para o exercício de um trabalho científico (http://www.portal.abant.org.br/images/Publica%C3%A7%C3%B5es/Laudos_antropol%C3%B3gicos_Condi%C3%A7%C3%B5es_para_o_exerc%C3%ADcio_de_um_trabalho_cient%C3%ADfico.pdf). 
       Os textos elaborados pelas Comissões e Comitês da ABA trazem, portanto, ao leitor algumas das questões mais candentes colocadas pela conjuntura atual à produção da antropologia, em suas múltiplas interfaces com as demandas das populações nativas e minorias, das políticas públicas e de nossa ética profissional. Pensamos que quando a conjuntura é adversa devemos, como pesquisadores, professores e cientistas que somos, responder com mais análise, mais crítica e mais sugestões para caminhos alternativos. É o convite que aqui fazemos.
Diretoria Políticas da Antropologia - ABA 2015/2016

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

nem indivíduo, nem sociedade: o transindividual



por Encontro Simondon


Vídeo-palestra apresentado no IFCS/UFRJ em 11/09/2015, em evento organizado pelos grupos Medialab/UFRJ, LEIC/UFRJ e GeACT. Os originais dos vídeos usados na montagem, e listados ao final, podem ser acessados nos seguintes links (na ordem de aparição):

how bacterias grow
https://www.youtube.com/watch?v=1qsQz...

Morphogenesis (Researcher's cut)
https://www.youtube.com/watch?v=s528u...

PARIS 1900 1925 la belle époque film en couleur rare version longue
https://www.youtube.com/watch?v=LUlOW...

1900 Serpentine Dance Danse Serpentine Alice Guy Blache
https://www.youtube.com/watch?v=aBZwr...

Snap Crackle Pops
https://www.youtube.com/watch?v=yU2QG...

Gilbert Simondon Entretien sur la mécanologie [complet] 1968 (R2: Bobine 2 de 3)
https://www.youtube.com/watch?v=HRqy9...

Overtones, harmonics and Additive synthesis
https://www.youtube.com/watch?v=YsZKv...

Resonance Experiment! (Full Version - With Tones)
https://www.youtube.com/watch?v=1yaqU...

Time-lapse of Vitamin C Crystallization
https://www.youtube.com/watch?v=XROxp...

Microscopic Time-Lapse of Growing Snowflake - Vyacheslav Ivanov (2014)
https://www.youtube.com/watch?v=GlQVk...

Xenopus laevis early embryo
https://www.youtube.com/watch?v=GfBqR...

Volvox embryo turning itself inside out
https://www.youtube.com/watch?v=aYf5D...

Fish Embryonic Development-flat beat
https://www.youtube.com/watch?v=nPgNo...

The Invisible World
https://www.youtube.com/watch?v=fLiUg...

How to catch a bee swarm
https://www.youtube.com/watch?v=dphhd...

Mujica Ao Vivo na UERJ
https://www.youtube.com/watch?v=KG1oF...

Skate Longest Nose Manny - Alemão Action Now
https://www.youtube.com/watch?v=JoBLW...

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

enciclopédia de antropologia


Esta Enciclopédia de Antropologia é, desde o começo, um instrumento de trabalho. Fruto da parceria entre alunos e professores do Departamento de Antropologia da USP, ela nasceu em sala de aula, alimentada por trocas e debates que tiveram lugar no interior dos cursos regulares de pós-graduação. 

Endereço da enciclopédia: http://ea.fflch.usp.br/

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

terra vermelha

Mato Grosso do Sul, Brasil, 2008. O suicídio de duas meninas Guarani-Kaiowá desperta a comunidade para a necessidade de resgatar suas próprias origens, perdidas pela interferência do homem branco. Um dos motivos do desaparecimento gradual da cultura reside no conflito gerado pela disputa de terras entre a comunidade indígena e os fazendeiros da região. Para os Kaiowás, essas terras representam um verdadeiro patrimônio espiritual e a separação que sofreram desse espaço é a causa dos males que os rodeia. Uma disputa metafórica é criada. A compreensão e o diálogo buscam espaço nesse antigo conflito. Enquanto isso, o jovem Osvaldo, que vive um terrível embate contra o desejo de morrer, vai furtivamente buscar água no rio que corta a fazenda e conhece a filha do fazendeiro. Um encontro em que a força do desejo transpassa e ao mesmo tempo acentua o desentendimento entre as civilizações.

FICHA TÉCNICA
Direção: Marco Bechis
Roteiro: Marco Bechis, Luiz Bolognesi
Produtor: Amedeo Pagani, Marco Bechis, Caio Gullane e Fabiano Gullane
Ano: 2008
Duração: 108’




segunda-feira, 9 de novembro de 2015

VI festival internacional do filme etnográfico do Recife

Programação Geral


Dia 16 de Novembro

Abertura Oficial
Local: cinema da Fundação (Derby)
17:00

Mesa de Abertura
Diretor da MECA
Coordenador do LAV
Secretaria de Cultura
Fundarpe

Homenagem  ao Cineasta Vincent Carrelli
Filme Homenageado:
Cajueiro Nordestino de Linduarte Noronha

MOSTRA COMPETITIVA
Local: Cinema da Fundação (Derby)

CONHECENDO O DESCONHECIDO.
Pedro Henrique Cardoso, Brasil. 20’. 2014
DOING THE SHEEP GOOD.
Teresa Montoya, EUA. 24’ 42’’. 2013
IHIATO – NARRATIVAS DOS ANCIÃOS FULNI-Ô.
Elvis Ferreira de Sá, Brasil. 15’ 44’’. 2014
MARIO REVE JEGUATÁ.
Coletivo Mbya-Guarani de Cinema, Brasil. 21’. 2015
O SONHO DO NIXI PAE: O MOVIMENTO DOS ARTISTAS HUNI KUIN.
Amilton Pelegrino de Mattos, Brasil. 43’ 45’’.  2014
RETOMADA
Leon Sampaio, Brasil. 16’. 2015
SERENKATO - O CANTO DA FLORESTA.
Jonathas Bernard, Brasil. 15’. 2014
AFLUENTES
 João Meirinhos, Perú / Reino Unido. 28’ 30’’. 2013
Monitores: Rayana Mendonça, Samara Almeida, Amanda Leão, Thaiza Raiane, Gabriel Góes, Renê Nascimento e Bruno César.


Dia 17 de Novembro

Manhã: 9:00 – 12:00
OFICINA
9:00 – 13 horas
Auditório 3 Antropologia 13 andar CFCH
1. Introdução a Antropologia Visual
Coordenação: Emiliano Dantas 
Monitores: Gabriel Góes e Karla Fagundes
  
MOSTRAS PARALELAS
Curadoria: Jane Pinheiro e Renato Athias

MOSTRA NARRATIVAS, VIDA E COTIDIANO
Auditório 1 Biblioteca Central/UFPE
Coordenação Naylini Sobral
Monitores: Gisele Mirella e Klever Alberto

TRANSPONDO OLHARES
Gilson Goulart Carrijo, Minas Gerais/Brasil. 21' 51''. 2015
SOCIABILIDADE POR 1,00 REAL
Antonia Géssica de S. Matos e Janiel de S. Medeiros. Ceará/Brasil. 12' 48''. 2014
DORSAL
Carlos Segundo. São Paulo/ Brasil. 25'. 2015
RETRATO SEM RETOQUES: A ÁFRICA NA UFPE
Leandro Wagner de Albuquerque da Silva. Recife/Brasil. 10' 58''. 2015
RUA DAS ÁRVORES
Direção: Alice Jardim. São Paulo/Brasil. 20'.2013

MOSTRA COMUNIDADES TRADICIONAIS
Auditório 2  Biblioteca Central
Coordenação: Philipi Bandeira
Monitores:  Wenderson Lima e Mauricio Souza

SUAPE: DESENVOLVIMENTO PARA QUEM?
Mariana Olívia Santana dos Santos. Recife/ Brasil. 29”.2015
O RINOCERONTE E A ZEBRA. ANTROPOLOGIA SUBURBANA.
Gabriel O. Alvares. Goiânia /Brasil. 25'. 2014
CAMINHANDO E CANTANDO: A 8ª ROMARIA DA FLORESTA
Darien Vincent Lamen. Brasil/ EUA. Madison/Wisconsin. 16'50''. 2014
CIDADE LÍQUIDA
Laís Araújo. Maceió/ Brasil. 12'. 2015

MOSTRA OLHARES CRUZADOS
Auditório 4 Biblioteca Central/UFPE
Coordenação: Flavio Amaral
Monitores:  Suely Silva e Patterson Duarte

SOLARIS
Pavel Borecky. Tallinn/Estônia. 25'. 2014
ESTIVE EM BRASÍLIA, LEMBREI DE VOCÊ
Carla Teixeira e Igor Z. Cerqueira. Brasil. Taguatinga /Brasil. 22'.2015
MOURARIA 3.0
Ana Rita Matias. Lisboa/Portugal. 30'.2014
LUIZ DA ROCHA
Inês Mestre. Lisboa /Portugal. 19'. 2013
Mostras Paralelas
Tarde: 14:00 – 17:00

MOSTRA NARRATIVAS, VIDA E COTIDIANO
Auditório 1 Biblioteca Central / UFPE
Coordenação: Naylini Sobral
Monitores:  Gabriel Góes

ONDE OS CAMINHOS ESTÃO SUSPENSOS
Vitor Vilaverde. São Paulo/Brasil. 10'. 2015
INTRAMUROS
Clarice Peixoto.  Rio de janeiro /Brasil. 36'. 2015
FUMAÇA
Daniel Simião e Yuri Corteletti. Brasil. Brasília – DF. 18’. 2015
FABRIK FUNK
Alexandrine Boudreault-Fournier, Rose Satiko G. Hikiji e Sylvia Caiuby Novaes. Sao Paulo/Brasil. 25'.2015
FELI(Z)CIDADE
Clementino Junior. Rio de Janeiro/Brasil. 11'. 2015

COMUNIDADES TRADICIONAIS
Auditório 2 Biblioteca Central / UFPE
Coordenação: Philipi Bandeira
Monitores:  Thaiza Raiane

TRIANGULO DA VIDA
Aisha Lourenço e Sálua Oliveira, Recife, 15” 2015
AMAZÔNIA VIVA
Edmilson Ferreira de Souza. Maranhão/Brasil. 52'. 2013
GARRA XAVANTE, UM DOCUMENTÁRIO MUSICAL
Mauro Bruschi. Pelotas/ Brasil.26'. 2013
DO BUGRE AO TERENA
Cristiano Navarro Peres e Aline Espínola. São Paulo/ Brasil. 25'. 2014
CONHECENDO SÃO GONÇALO BEIRA RIO
Eveline Bezerra. Cuiabá / Brasil. 20'. 2013

MOSTRA OLHARES CRUZADOS
Auditório 4 Biblioteca Central / UFPE
Coordenação: Flávio Amaral
Monitores:  Bruno César

PIEDRA LIBRE
Alejandra Vassallo, Pía Sicardi. Buenos Aires/Argentina. 73'. 2015)
QUEM FAZ UM JORDÃO GUARDA A TRADIÇÃO
Patrícia Pedrosa. Lisboa /Portugal. 63'. 2015

MOSTRA OUTROS OLHARES
Sala:  Aliança Francesa
Coordenação: Adrien Lefevre
14:00 – 17:00
Monitores:  Amanda  Leão e Renê Nascimento

EL TRIÁNGULO ROSA Y LA CURA NAZI PARA LA HOMOSEXUALIDAD
Nacho Steinberg, Esteban Jasper. Argentina/Brasil. 63’. 2014
P'XÁ KÓRDA: O CORPO, O BOTE E O MAR
Alcides Lopes. Cabo Verde. 25’.  2014
CITIES OF SLEEP
Shaunak Sem. New Delhilonga/India. 75’. 2015

MOSTRA COMPETITIVA
Cinema da Fundação (Derby)
18:00-22:00

EXU ALÉM DO BEM E DO MAL
Werner Salles Bagetti, Brasil.    2014
DEAD BIRDS RE-ENCOUNTERED
Robert Gardner, EUA.  2013
JUREMA
Clementino Junior, Brasil.  2014
KALANDA - THE KNOWLEDGE OF THE BUSH
Lorenzo Ferrarini, Inglaterra.  2014
L'ÉPAISSEUR DES MURS
Federico Varrasso, Haïti/Belgica.  2014

Monitores: Rayana Mendonça, Neilton Silva, Amanda Leão e Patterson Duarte

Dia 18 de Novembro

OFICINA
9:00 – 13 horas
Auditório 3  Antropologia 13 andar CFCH
2. Nativas e Roteiros criativos na produção audiovisual
Coordenação: Glauco Machado
Monitores: Neilton Silva, Samara Almeida e Mauricio Souza

MOSTRA NARRATIVA, VIDA E COTIDIANO
Auditório 1 Biblioteca Central / UFPE
Monitores:  Gisele Mirella

SÃO ROQUE EM NOITE DE SERENATA, SANTOS EM DIA DE SERESTA
Felipe Angiolucci, Clarissa Reche.  São Paulo/Brasil. 15’. 2015
ANGOLA POA: MESTRE CHURRASCO
Marco A. Saretta Poglia e Magnólia Dobrovolski. Porto Alegre/Brasil. 40’. 2013
BATCHAN
Gabriel Carneiro. São Paulo/ Brasil. 15’. 2013
DISTINTO MATERNAL
Sylara Silvério. Pernambuco/Brasil. 16’. 2014

MOSTRA COMUNIDADES TRADICIONAIS
Auditório 2 Biblioteca Central / UFPE
Coordenação: Philipi Bandeira
Monitores:  Klever Silva

DAS NUVENS PRA BAIXO
Marco Antonio Gonçalves/ Eliska Altmann. Rio de janeiro/Brasil. 74’. 2015
FRAGMENTOS DE UMA CRONOLOGIA INERTE
Lucas Simões. Recife/Brasil. 8’. 2013
MINHA VIZINHA
Rita Bras. Brasil/RJ. 11’. 2014
O TIME DA CROA
Jorane Castro. Brasil. Pará/Brasil. 15’.  2015

MOSTRA IMAGENS E SONS DA CIDADE
Auditório 3 Biblioteca Central
Coordenação: Emiliano Dantas
Monitores:  Wenderson Lima e Suely Silva

UBUNTU: A ÁFRICA EM NATAL
Marlla Suéllen e Edson Soares. Pernambuco / Brasil. 15’. 2014
NAUFRÁGIO
Alex Vailati, Matias Godio. Santa Catarina/Brasil. 52’. 2014
MENINO DA GAMBOA
Pedro Perazzo e Rodrigo Luna. Salvador/ Brasil.  14’. 2014
HOMORRAGIA
Lorena Arouche. Olinda/Brasil. 7’. 2014
ILHADOS
Lucas Bonini e Wayner Tristão. Vila Velha / Brasil. 15’. 2015

Mostras Paralelas
Tarde: 14:00 – 17:00

MOSTRA IMAGENS E SONS DA CIDADE
Auditório 3 Biblioteca Central / UFPE
Coordenação: Emiliano Dantas
Monitores:  Klever Silva
JAKARTA DISORDER
Ascan Breuer. Vienna/ Austria. 87’.  2013
LENDAS URBANAS, CONTOS E ASSOMBRAÇÕES
Sheila Ramos da Silva. Céara/Brasil. 15’. 2013)
AVENIDA PRESIDENTE KENNEDY
Adalberto Oliveira. Olinda/ PE/ Brasil. 16’. 2014
E O ARRUADO?
Nina Defontaine. Pernambuco/Brasil. 14’. 2015
MOSTRA IMAGENS E SONS DA CIDADE
Auditório 2 Biblioteca Central / UFPE
Coordenação: Emiliano Dantas
Monitores: Rafaela Galindo
BANCA FORTE
Giovani Borba. Porto Alegre/Brasil. 55’. 2014
CHEIROS, MEMÓRIAS E SABERES
Nilson Almino de Freitas e Wellingta Maria V. Frota. Ceará/Brasil. 20’. 2014
HABITA-ME SE EM TI TRANSITO
Claudia Rangel. Minas Gerais/Brasil. 22’. 2014
HISTÓRIAS DE MANDINGA E PELEJA: AILTON PESTE
Leandro Wagner e Brundo de Souza. Pernambuco/Brasil. 4’. 2015

MOSTRA RITUAL E POVO DE TERREIRO
Auditório 1 Biblioteca Central
Coordenação: Camila Meneghini
Monitores: Thaiza Raiane
SANTO DE CASA
Maria Carolina. Salvador/ Brasil. 19’. 2015
BABÁ PAULO BRAZ - CONEXÃO IFÉ
Gustavo H. Almeida.  Recife/ Brasil. 62’. 2014
ENCANTARIAS
Rodrigo Sena e Julio Castro. Natal/ Brasil. 60’. 2015
MOSTRA OUTROS OLHARES
Auditório Antropologia
13 andar CFCH/UFPE
14:00 as 17:00
Coordenação: Glauco Machado
Monitores:  Gisele Mirella

BIRTHDATES
Arba Bekteshi, Albania / Tirana. 03’.  2015
DESCENDING WITH ANGELS
Christian Suhr, Watertown /Dinamarca. 75’.2013
AFTERMATH – THE SECOND FLOOD
Raphael Barth,Austria, Germany e Ireland. 82’, 2014

MOSTRA OUTROS OLHARES
Sala:  Aliança Francesa
Coordenação Adrien Lefevre
14:00 – 17:00
Monitores:  Renê Nascimento e Suely Silva

A MINHA TERRA É UMA ILHA
Antonio João Saraiva. Lisboa /Portugal. 75’. 2014
SWISS YODELLING - 30 YEARS LATE
Hugo Zemp. Watertown /Suiça. 71’. 2015
WHO WE REALLY ARE
Paulo Alberton. Australia / Brasil. 14’. 2015
Mostra Competitiva
Cinema da Fundação (Derby)
A BATALHA DO PASSINHO, O FILME
Emílio Domingos, Brasil. 73’. 2013
MÃES DO PINA
Leo Falcão, Brasil. 71’. 2015
THE CHILDREN
Arber Jashari, Kosovo. 15’. 2013
URBAN DWELLERS
Larissa Alves, Inglaterra. 19’ 43’’. 2013
ZADNJI PIONIRJI
 Daniela Rodrigues, Eslovênia. 10’ 35’’. 2012
Monitores:  Rayana Mendonça, Gabriel Góes, Bruno Florêncio, Gabriela Pimentel e Karla Fagundes.

Dia 19 de  Novembro

Fórum de Debates sobre Filme Etnográfico
Auditório de Antropologia
13 andar CFCH/UFPE
9:00 – 12:00
Coordenador:
Renato Athias
Expositores:
Rodrigo Lacerda
Jorane Castro
José Ribeiro
Carmen Rial
Alex Vailati
Este fórum será transmitido “on line”

Mostras Paralelas
14:00 – 17:00

MOSTRA OUTROS OLHARES
Auditório Antropologia
Coordenação: Glauco Machado
13 andar CFCH/UFPE
Monitores:  Samara, suely, gisele, mauricio, klever e cibele

THE ANTHROPOLOGIST
Daniel A. Miller. Garrison/ EUA. 81’. 2015
MI REINO NO ES DE ESTE MUNDO
Tatiana Font, Buenos Aires/Argentina, 89”, 2014

Mostra Competitiva
Cinema da Fundação (Derby)
18:00

ÓPERA CABOCLA
Adriano Barroso, Brasil. 26’. 2014
CANDEIAS
Felipe Wenceslau, Brasil. 13’. 2015
ENTRE MEMÓRIAS
Martha-Cecillia Dietrich, Peru. 34’. 2015
MEMÓRIAS RETOMADAS
João Martinho de Mendonça, Brasil. 22’. 2015
O FIO DO AZEITE
Catarina Alves Costa, Portugal. 30’. 2015
OLHO A'DENTRO - POVO CIGANO
Camila Camila, Brasil. 11’. 2014
SERRA DO CAXAMBU
Marcio Brito Neto, Brasil. 16’. 2015
Monitores: Rayana Mendonça, Gabriel Góes, Bruno Florêncio, Gabriela Pimentel e Karla Fagundes.