sábado, 19 de julho de 2014

os mil nomes de gaia: do antropoceno à idade da terra

Colóquio Internacional
Os Mil Nomes de Gaia: Do Antropoceno à Idade da Terra
De 15 a 19 de setembro de 2014
Local: Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro

Realização:
Departamento de Filosofia da PUC-Rio
PPGAS do Museu Nacional – UFRJ

“Há um sentimento crescente na cultura contemporânea de que a “humanidade” e o “mundo” — a espécie e o planeta, as sociedades e seus ambientes, mas também o sujeito e o objeto, o pensamento e o ser — entraram, já faz algum tempo, mas apenas agora com uma evidência cada vez mais difícil de ignorar, em uma conjunção cosmológica nefasta, associada frequentemente aos nomes controversos de Antropoceno e Gaia. O primeiro termo designaria um novo tempo, ou antes um novo conceito e uma nova experiência da temporalidade, nos quais a diferença de magnitude entre a escala da história humana e as escalas cronológicas da biologia e das ciências geofísicas diminuiu dramaticamente, senão mesmo tendeu a se inverter, com o “ambiente” mudando mais depressa que a “sociedade” e o futuro próximo se tornando, com isso, cada vez mais imprevisível e ominoso. O segundo, “Gaia”, nomearia uma nova maneira de ocupar e de imaginar o espaço, chamando a atenção para o fato de que nosso mundo, a Terra, tornado, de um lado, subitamente exíguo e frágil, e, de outro lado, suscetível e implacável, assumiu a aparência de uma Potência ameaçadora que evoca aquelas divindades indiferentes, imprevisíveis e incompreensíveis de nosso passado arcaico. Imprevisibilidade, incompreensibilidade, sensação de pânico diante da perda do controle, e talvez mesmo de perda da esperança: eis o que são certamente desafios inéditos para a orgulhosa segurança intelectual e o destemido otimismo histórico da modernidade. O título do colóquio, Os Mil Nomes de Gaia: do Antropoceno à Idade da Terra, faz assim referência a estes dois conceitos emblemáticos dentro do que chamaríamos de pensamento contemporâneo da crise.

Leia o Position Paper completo aqui

site do evento: http://osmilnomesdegaia.eco.br/

segunda-feira, 14 de julho de 2014

antropólogos, a arma secreta das empresas

texto originalmente publicado em: http://www.publico.pt/sup-economia/jornal/antropologos--a-arma-secreta-das-empresas-303210

Deslocam-se ao terreno, percebem os consumidores melhor do que ninguém e descobrem o que falta nas suas vidas. Sem darmos por isso, os antropólogos entraram no mundo dos negócios Ana Rita Faria (texto)

Para uns, é o estudo da evolução do homem ao longo dos milhões de anos em que habita o planeta Terra. Para outros, uma ciência que se confunde com as ossadas dos dinossauros, os vestígios de civilizações antigas e até a figura heróica de Indiana Jones. O mistério reina em torno da antropologia mas, no mundo actual, esta disciplina está a ganhar cada vez mais espaço dentro das empresas.

Algumas das maiores companhias mundiais, como a Microsoft, Nokia e IBM, integram antropólogos nas suas equipas, que as ajudam a conhecer melhor os apetites dos consumidores e a pensar em novos produtos. Só a Intel tem 25 profissionais desta área e foi neles que se alicerçou para deixar de ser apenas uma fabricante de chips e passar a vender directamente ao consumidor (ver texto na outra página).

Mas, em termos práticos, o que fazem realmente os antropólogos dentro das empresa? O ponto de partida é usar os tradicionais métodos antropológicos - observação minuciosa, entrevistas aprofundadas e documentação sistemática - para conhecer os consumidores e ver o que falta nas suas vidas - o telemóvel ideal, uma mobília para a casa, um computador diferente. Segue-se o trabalho com designers e engenheiros para os ajudar a conceber produtos e serviços que encaixam nessas necessidades.

Os exemplos abundam. Foi com a ajuda de antropólogos que a Intel criou o seu portátil para os mercados emergentes (e que, em Portugal, deu origem ao "Magalhães") e que a Apple criou uma organização diferente no "desktop" dos seus computadores. É também graças a estes profissionais que a Samsung está a tentar repensar as suas televisões na era digital e que a Nokia foi a primeira a lançar telemóveis com várias listas de contactos.

Contudo, nem sempre se trata apenas de desencantar um novo produto ou serviço que conquiste os consumidores. Há alturas em que os antropólogos mudam realmente o próprio curso dos acontecimentos dentro de uma empresa e a sua estratégia. Foi o caso da Lego.

Uma incursão ao mundo dos brinquedos e da TV

Quando Jorgen Vig Knudstorp assumiu a direcção da fabricante dinamarquesa de brinquedos em 2004, o cenário era catastrófico. As vendas caíam a olhos vistos, o custo de produção era elevado e as dívidas não paravam de aumentar. Foi neste contexto que a ReD Associates foi chamada a intervir.

Composta por antropólogos, sociólogos e psicólogos, esta consultora dinamarquesa já trabalhou para empresas como a Adidas, Vodafone e Coca-Cola mas teve na Lego um dos seus maiores desafios. "A empresa tinha perdido a sua relação com as crianças", explica ao PÚBLICO Christian Madsbjerg, membro da consultora.

Para perceber o que se passava, a equipa de cientistas sociais passou quatro meses a trabalhar com um grupo de 100 crianças. Falaram e brincaram com elas, acompanharam-nas na escola, estiveram em casa com a família e, no final, descobriram onde estava o problema: todas as pressuposições da Lego sobre como as crianças gostavam de brincar estavam erradas.
"A Lego pensava que as crianças gostavam mais de playstations, de jogos fáceis e de encontrar instantaneamente diversão nas brincadeiras", explica Christian Madsbjerg. Mas a realidade era bem diferente. "Os miúdos continuavam a gostar muito de brincadeiras físicas, de coisas difíceis e não se importavam de perder tempo a descobrir como resolver o enigma de um brinquedo", conclui. A Lego teve então de mexer nas peças do seu negócio, acabar com alguns produtos e criar outros. As crianças voltaram.

Um desafio parecido colocou-se mais recentemente a Christian Madsbjerg, mas desta vez vindo das televisões, com a sul-coreana Samsung. Durante os últimos dois anos, a equipa do cientista social (que não é formado em antropologia mas sim em ciência política e filosofia) trabalhou em 14 países para ver como as pessoas usam as novas televisões de ecrã plano. "Apesar do sucesso inicial destas televisões, o seu preço estava a ser empurrado para menos um terço e o volume de vendas começou a cair", revela Christian Madsbjerg. Para a Samsung, era preciso dar a volta à situação.

Ao olharem para o modo como as pessoas usam a televisão hoje em dia e como ela se conjuga com a tecnologia, os antropólogos perceberam que algo tinha de mudar. "Em primeiro lugar, a televisão tinha de deixar de ser um pedaço de electrónica para ser uma peça que faz parte da mobília", diz Christian Madsbjerg.

Em segundo, tinha de deixar de ser apenas uma televisão para ser um "software", uma espécie de computador gigante com um tipo diferente de interacção. Como os resultados do projecto ainda estão a ser desenvolvidos e aplicados pela empresa, Christian Madsbjerg não pode adiantar muito mais. Mas uma coisa é certa: se um novo conceito de televisão sair em breve das fábricas da Samsung, terá uma costela de antropólogo.

Ir além da pesquisa de mercado

Enquanto na Europa o mais comum é as companhias recorrerem a pequenas ou médias empresas de consultoria e pesquisa etnográfica como a ReD Associates, nos Estados Unidos os antropólogos ganharam entrada directa nos negócios. Mas, tanto num caso como no outro, estão a tornar-se cada vez mais populares.

Segundo Ken Anderson, 53 anos, um dos 25 antropólogos da Intel, "as empresas perceberam a necessidade de conhecer as pessoas mais profundamente, os seus valores, esperanças, sonhos e os desafios que enfrentam, de modo a conceber e vender produtos". Para este antropólogo, as pesquisas de mercado já não suficientes, até porque só mostram uma face da realidade.
Ao deslocaram-se ao terreno onde as pessoas vivem e trabalham, onde compram e onde se divertem, os antropólogos conseguem descobrir as suas necessidades, mesmo aquelas de que as próprias pessoas não se deram conta. A diferença é clara: uma empresa de estudos de mercado pergunta o que as pessoas querem ou fazem, um antropólogo vê o que elas realmente fazem e consegue perceber o que querem.

Na base, um princípio semelhante ao que o norte-americano Henry Ford seguiu quando, nos primeiros anos do século XX, lançou a Ford: "Se tivesse perguntado às pessoas o que queriam, elas teriam dito cavalos mais rápidos". Nunca carros. Mas não, Henry Ford não era um antropólogo, por mais faro que tivesse. Na verdade, os primeiros antropólogos só começaram a fazer a sua entrada no mundo dos negócios algumas décadas mais tarde, por volta dos anos 30.
Nessa altura, as empresas aproveitavam as ciências sociais, incluindo a antropologia, para descobrir como tornar os seus trabalhadores mais produtivos. Só a partir dos anos 60 e 70, quando os gurus da gestão coroaram o consumidor como rei, é que algumas companhias começaram a recrutar antropólogos e outros cientistas sociais para conhecer melhor o seu público. A Xerox, empresa norte-americana conhecida por ter inventado a impressora, foi a pioneira.

Em 1979, dois antropólogos - Lucy Suchman e Julian Orr - integraram o centro de estudos da Xerox para estudar como as pessoas interagiam com a tecnologia. Ao observarem e filmarem a forma como era usada uma fotocopiadora, os investigadores perceberam que as pessoas tinham bastantes dificuldades em fazer uma mera fotocópia. Faltava simplicidade. A solução foi um botão verde a dizer "copy" ("copiar") em todas as máquinas da marca. E, ainda hoje, por mais funcionalidades que as fotocopiadoras possam ter, o botão continua lá.

Desde esses tempos cada vez mais antropólogos têm-se infiltrado no mundo das empresas. Actualmente, constata Christian Madsbjerg, "todas as grandes empresas mundiais que ainda não têm este tipo de profissionais estão a pensar recrutá-los, porque já viram que funciona". Para o responsável da ReD Associates, isso vai fazer com que a antropologia corporativa se torne, dentro de cinco a sete anos, uma "prática normal" dentro das empresas e não "especial", como ainda é vista hoje em dia.

Alex Taylor, sociólogo da tecnologia a trabalhar na Microsoft, partilha da mesma opinião. "A tendência é que as empresas tenham pelo menos alguém que possa fazer trabalho de campo". Para o profissional, que imerge no dia-a-dia dos consumidores em busca de novas ideias para a empresa (e sobre as quais se fecha em copas), a pesquisa antropológica "tornar-se-á um emprego fixo nas grandes empresas que lidam com os consumidores".

Fazer tábua rasa e desafiar preconceitos

Foi sobretudo com as empresas tecnológicas que a importância dos antropólogos se tornou mais visível. A intensa competição criada com a explosão da Internet e das tecnologias da informação fez com que os executivos do sector precisassem cada vez mais de saber como é a tecnologia afecta os consumidores e como eles reagem a ela. Isso permitiria avaliar qual o impacto dos produtos antes do seu lançamento no mercado, o que é fundamental para as empresas dado o elevado custo de fabrico dos produtos tecnológicos, mas também a noção (já provada em vários estudos) de que pelo menos 75 por cento desses novos produtos falham pela falta de um mercado.

Além disso, a entrada das empresas tecnológicas nos países emergentes tornou a pesquisa antropológica, mais do que uma vantagem competitiva, uma necessidade. É o caso da finlandesa Nokia, onde vários antropólogos trabalham com a equipa de design para "ajuda a criar novas ideias de como os telemóveis irão ser, funcionar e ser usados no futuro", explicou ao PÚBLICO Jan Chipchase.

Nos projectos que realizou recentemente na Índia e no Uganda, Jan percebeu que era preciso desafiar uma suposição errada: a de que os telemóveis são um produto individual. "Para muitos, o telemóvel é algo partilhado, usado por toda a família ou até alugado por empresários locais para uso de toda a aldeia", evidencia. Mas, sendo assim, faltava uma coisa aos telemóveis: listas de contactos diferentes para cada utilizador. Foi essa a aposta da Nokia.

Esta necessidade de pôr em causa conceitos pré-estabelecidos ou, melhor dizendo, de partir para o terreno sem nenhuns é o ponto de partida da pesquisa antropológica. "Começamos com um cenário limpo, sem hipóteses à partida, e prestamos atenção a todos os detalhes da realidade", explica ao PÚBLICO Melinda Rea-Holloway, 43 anos, socióloga que está à frente da Ethnographic Research (ER), uma das muitas empresas nos EUA que faz pesquisa etnográfica para grandes companhias. Pelas suas mãos, e dos colegas antropólogos, passaram empresas dos mais variados sectores como a Dell, Electrolux, Kellog's, Novartis e M&M Mars.

Um dos métodos mais usados pela ER é gravar em vídeo a maioria das suas intervenções no terreno. Contudo, realça Melinda Rea-Holloway, a pesquisa antropológica não pode ficar-se pela simples observação. Apesar de esta poder demorar meses ou até anos, é com a análise que os antropólogos têm de gastar a maior fatia do seu tempo. "Se gastar quatro horas a observar ou falar com alguém, preciso de 16 a 20 horas para analisar o material e tentar descobrir padrões e tendências", conclui.

Ed Liebow, 55 anos, sabe bem o tempo gasto com a profissão. O investigador, que é um dos 20 antropólogos a serviço da Battelle (organização norte-americana da área da ciência, saúde e tecnologia), trabalhou durante 15 anos com um grupo de físicos para tentar perceber o grau de contaminação a que as pessoas tinham sido expostas, com a produção e teste de armas nucleares nos EUA.

"Todos os modelos que havia baseavam-se em pressuposições eurocêntricas de quanto tempo as pessoas passavam fora de casa, o que comiam, que tipo de casas tinham", explica Ed Liebow. Ao substituir essas hipóteses pela observação directa, Liebow conseguiu mostrar que a exposição era bem mais elevada em alguns casos, permitindo melhorar os serviços de saúde a essas comunidades.

Portugal à margem

Extremamente atractiva para as empresas tecnológicas, mas também para as da saúde, banca, retalho e entretenimento, a antropologia está a conseguir conquistar ainda uma outra actividade: o marketing. Através dela, os antropólogos a trabalhar na publicidade conseguem fazer análises culturais e repensar problemas ligados a uma marca.

"A vantagem de um conhecimento mais profundo do consumidor ajuda a guiar o marketing em direcções mais criativas e a criar anúncios mais provocantes", diz Timothy Malefyt, 48 anos. O publicitário despertou para o mundo da antropologia depois de fazer o seu doutoramento em Espanha, a estudar símbolos nacionais de performance (como a música e dança flamengas). Hoje, dirige a unidade de pesquisa "Cultural Discoveries" ("Descobertas Culturais") da agência BBDO, enviando antropólogos para o terreno estudar o significado das marcas na vida das pessoas.

Em Portugal, parece ser só através do marketing que a ligação dos antropólogos às empresas ganha alguma visibilidade. De acordo com Susana Matos Viegas, presidente da Associação Portuguesa de Antropologia, alguns profissionais dessa área, ligados a centros de investigação ou universidades, estão a colaborar com empresas publicitárias. Contudo, "não é empregabilidade segura, mas apenas colaborações esporádicas", realça.

Um desperdício? A julgar pelo sucesso que estes profissionais têm tido dentro das empresas, poderia dizer-se que sim. Descoberta a sua capacidade de ver os consumidores ao microscópio, os antropólogos renasceram para o mundo dos negócios e, como diz Ed Liebow, estão a "dar vida aos números".

A Xerox foi a primeira empresa a ter antropólogos, em 1979. A Intel é a empresa com maior número de antropólogos: 25. Muitas companhias, como a Microsoft, IBM ou Nokia têm equipas de antropólogos, enquanto outras (Lego, Samsung, Kellog's, Pfizer, etc) contratam empresas de pesquisa antropológica. Várias empresas de marketing têm integrado nas suas equipas antropólogos e outros cientistas sociais.

Em geral, a pesquisa antropológica envolve uma observação minuciosa (em que o investigador pode participar ou não), entrevistas (em que é o entrevistado a orientar todo a conversa e não o entrevistador) e uma análise aprofundada, apoiada em teorias da ciência social.

Os antropólogos ajudam as empresas a perceber as necessidades dos consumidores, identificar oportunidades comerciais viáveis e estratégicas, minimizar o risco de inovação e desenvolver produtos mais eficazes do que a concorrência.

Christian Madsbjerg, da ReD Associates

terça-feira, 8 de julho de 2014

conservação, vida social e desenvolvimento

SELEÇÃO PARA O CURSO DE CAMPO

CONSERVAÇÃO, VIDA SOCIAL E DESENVOLVIMENTO ENTRE O POVO INDÍGENA KAYAPÓ DO SUDESTE DA AMAZÔNIA

Inscrições até 11/07/14

Desde 2007, o PPGAS-UnB participa do curso de campo "Conservação, Vida Social e Desenvolvimento entre o Povo Indígena Kayapó do Sudeste da Amazônia", resultado de uma parceria entre a organização indígena Associação Floresta Protegida (AFP), a Universidade de Brasília e a Universidade de Maryland. O curso tem o objetivo de capacitar estudantes universitários em temas relevantes para a conservação de diversidade biológica e cultural da Amazônia, através de uma experiência de vivência na aldeia Kayapó de A ́Ukre e na reserva do Pinkaiti (ambas na Terra Indígena Kayapó), bem como na região das cidades de Tucumã, São Felix do Xingu e arredores (todas no Pará).

Este ano, o curso será realizado entre 4 e 18 de agosto de 2013, em três módulos, o primeiro em Tucumã, o segundo e o terceiro na reserva do Pinkaiti e na aldeia de A'Ukre. Será ministrado por instrutores indígenas e não-indígenas (doutores em ecologia amazônica e antropologia). Dele participarão entre 8 e 13 alunos norte-americanos.

O Departamento de Antropologia dispõe de duas vagas para seus alunos, uma na graduação e uma na pós-graduação. O objetivo é oferecer a estes alunos a oportunidade de conhecer uma comunidade Kayapó e adquirir conhecimentos de profissionais com longa experiência de trabalho com essa etnia. Também se espera dos alunos brasileiros a realização de uma apresentação aos demais alunos sobre um tema relevante para o curso, que contribua para este e propicie o desenvolvimento de diversas habilidades exigidas nos cursos de graduação e pós-graduação.

Pré-requisitos

1. Estar regularmente matriculado nos cursos de graduação em Ciências Sociais (habilitação em Antropologia), mestrado ou doutorado em Antropologia da UnB;

2. Investimento nas áreas temáticas da antropologia ambiental ou etnologia indígena, preferencialmente na forma de projeto de pesquisa;

3. Compreensão oral e habilidade conversacional em língua inglesa (para permitir a interação diária com os alunos norte-americanos).

Documentos para inscrição

Entregar na Secretaria da Pós-Graduação em Antropologia até 11 de julho de 2014, às 12h00:

1. Carta de intenções (1 a 2 pp.), indicando as razões do interesse em participar do curso;

2. Cópia do Histórico Escolar.

ENTREVISTAS

As entrevistas serão realizadas no dia 11 de junho de 2013, das 14h00 às 18h00 (por ordem de chegada), na sala da profa. Marcela S. Coelho de Souza, no DAN.

terça-feira, 24 de junho de 2014

66a reunião anual da sbpc

A 66ª Reunião Anual da SBPC ocorrerá de 22 a 27 de julho de 2014, no campus da Universidade Federal do Acre (UFAC), em Rio Branco, AC. O tema será "Ciência e Tecnologia em uma Amazônia sem Fronteiras".

sbpc

site oficial do evento: http://www.sbpcnet.org.br/riobranco/home/

inscrição: http://www.sbpcnet.org.br/reunioes/riobranco/inscricao/

quarta-feira, 11 de junho de 2014

simpósios especiais aprovados (29rba)

A ABA divulgou os SEs aprovados para a sua 29a Reunião Brasileira de Antropologia que ocorrerá na UFRN de 03 a 06 de agosto de 2014. Clique no link para ler o resumo das sessões no SE:

001. A diferença e o sentido revolucionário - Homenagem aos Antropólogos Luiz de Castro Faria, Renê Ribeiro, Gioconda Mussulini e Egon Schaden por ocasião do centenário de seus nascimentos

002. Antropologia e Arqueologia: diálogos, convergências e possibilidades

003. Antropologia e patrimônio cultural: uma via de mão dupla

004. Cinquenta anos depois do golpe militar: Direitos Humanos, novas demandas, conflitos e controvérsias

005. Cosmolocalitas. Aproximações etnograficas no mundo contemporâneo

006. Crescimento econômico, transformações sociais e direitos culturalmente diferenciados no Brasil contemporâneo

007. Deslocamentos, Desigualdades e Violência de Estado

008. Dez anos da Convenção do Patrimônio Imaterial: O papel da Antropologia

009. Diversas faces de projetos e políticas de desenvolvimento: territórios, direitos, tensões e negociações em diferentes esferas

010. O ENSINO DE ANTROPOLOGIA: expandindo fronteiras no século XXI

011. Povos isolados e de contato recente: políticas públicas e experiências de proteção

012. Corpo, Genética, Bioética e Novas Formas de Eugenia

013. Debates em Torno da Antropologia Colaborativa

014. Territórios Ressignificados

015. Transnacionalidade, pesquisa de campo e visualidades.

016. Violações aos direitos indígenas: ditadura militar e regime tutelar

017. Antropologia, Direitos Sexuais e Fundamentalismos

018. Justiça, Cidadania e Conflito em Perspectiva Comparada

sexta-feira, 30 de maio de 2014

I encontro de antropologia visual da américa amazônica

O I EAVAAM é uma iniciativa do Grupo de Pesquisa em Antropologia Visual e da Imagem – Visagem. O principal objetivo do evento é divulgar, fomentar e discutir pesquisas e produções que estão sendo realizadas no Brasil e em toda América Amazônica acerca da Antropologia Visual.

O encontro acontecerá na UFPA (Belém-PA) entre os dias 04 e 06 de novembro de 2014.

Site oficial do evento: http://www.eavaam2014.com.br/

terça-feira, 27 de maio de 2014

mesas-redondas aprovadas (29rba)

A ABA divulgou as MRs aprovadas para a sua 29a Reunião Brasileira de Antropologia que ocorrerá na UFRN de 03 a 06 de agosto de 2014. Clique no link para ler o resumo da MR e os trabalhos a serem apresentados e discutidos:

001. "Etnologias da Amazônia e região Nordeste/Leste: diálogos, convergências e intersecções"

002. A antropologia como prática criativa: interfaces com design e artes visuais

003. A experiência colonial e a classificação da vida social em contextos africanos

004. Alterações climáticas, formas de controle e estratégias socioambientais

005. Antropologia da Mídia

006. Antropologia, Etnografia e Educação: debates em torno de categorias e experiências

007. Antropologias do Mundo hoje: perspectivas e diálogos após 10 anos.

008. Centenário de René Ribeiro: Uma Época e um Lugar na Antropologia Brasileira

009. Comer ou não comer: Comida, Comestível, Comível.

010. Conflitos e Mobilizações Coletivas em Contextos de Grandes Projetos Urbanos

011. Diálogos antropológicos contemporâneos: aborto no Brasil e na América Latina

012. Direitos humanos: tecnologias de poder, espaços de diversidade

013. E depois da pesquisa? Reflexões sobre os desafios da devolução de resultados de pesquisa na Antropologia da saúde

014. Ensaiando um “crack” : um debate sobre as etnografias e as drogas

015. Ensino de Antropologia Visual: Experiências e Projetos

016. Estado, comunidades tradicionais e desenvolvimento: limites da resolução negociada dos conflitos ambientais

017. Etnicidade e nacionalidade em fronteiras: povos indígenas entre Estados nacionais.

018. Etnicidades, Narrativas, Saberes e Tradições: Alteridades Contemporâneas e Desafios Teóricos

019. Etnografias do Judiciário e sistema prisional: justiça e criminalidade em perspectiva

020. Fronteiras, Fluxos e Lugares nas Sociedades Contemporâneas

021. Mostras, núcleos, cursos e redes. Políticas para a Antropologia Visual.

022. O estatuto da noção de lugar nas investigações sobre os patrimônios

023. O Policiamento como Objeto da Reflexão Antropológica: emoções, discursos e práticas institucionais

024. O testemunho cristão: etnografias contemporâneas comparadas

025. Os Espíritos e as Bebidas: patrimonialização e sociabilidades, padronização e a domesticação do mercados

026. Os Imigrantes indesejados e a retórica de que o Brasil acolhe bem os estrangeiros.

027. Panorama atual da antropologia da comunicação de massa: Bélgica, Portugal, Espanha e Brasil.

028. Pesquisando religião: novos temas, novos métodos, novos desafios

029. Regimes de uso de territórios tradicionais: expropriação e resistência

030. Revisitando “Studying Up”: reflexões desde os estudos da vida política

031. Tradições de conhecimento, processos políticos e construções cosmológicas: reflexões a partir dos casos Pankararu, Guarani e Uitoto

032. “Religião hoje, outras leituras, outras ideias...”: homenagem a Antônio Flávio Pierucci

segunda-feira, 26 de maio de 2014

grupos de trabalho aprovados (29rba)

A ABA divulgou os GTs aprovados para a sua 29a Reunião Brasileira de Antropologia que ocorrerá na UFRN de 03 a 06 de agosto de 2014. Clique no link para ler o resumo do GT e os trabalhos a serem apresentados e discutidos:

001. A antropologia visual e os desafios atuais na produção de acervos, memórias coletivas e restituição de imagens e sons.

002. Alimentação, cultura e consumo

003. Antropologia da Arquitetura e do Urbanismo

004. Antropologia da dança

005. Antropologia da imagem, montagem, conhecimento.

006. Antropologia da técnica

007. Antropologia das Emoções e da Moralidade

008. Antropologia do Cinema: entre narrativas, políticas e poéticas

009. Antropologia do esporte: campos e intersecções no estudo das práticas esportivas

010. Antropologia e as doenças de longa duração

011. Antropologia e Direito: discussões contemporâneas

012. Antropologia e Educação: construindo diálogos na interface

013. Antropologia e tecnociência: teorias, métodos e perspectivas

014. Antropologia, arqueologia, colonialismo e licenciamento ambiental

015. Antropologia, política e cultura: diversidade cultural e desenvolvimento territorial

016. Arte e Antropologia

017. Arte, ritual e memória

018. As incertezas do trabalho de campo: narrativas sobre a pesquisa etnográfica.

019. Atuação etnopolítica dos povos indígenas e reconfiguração do indigenismo contemporâneo no Brasil: reflexões teóricas e avanços metodológicos sobre o tema.

020. CIGANOS NO BRASIL: um exercício de comparação etnográfica.

021. Coisas que falam, agem e encantam: abordagens sobre a cultura material em ação

022. Corporalidade no Esporte e no Lazer

023. Cultura, Etnicidade e Modos de Significação: Narrativas, Memórias e Tradições

024. Culturas Corporais, Sexualidades, Transgressões e Reconhecimento: novas moralidades e ética em debate

025. Desafios Profissionais e Espaços de Embate: Demandas e Questões em torno da Atuação Antropológica

026. Diálogos e narrativas no mundo do trabalho: mobilidades, trânsitos e trajetórias de trabalhadores urbanos e rurais

027. Diálogos no Campo da Antropologia da Alimentação

028. Doença, Ativismo e Justiça: novos focos em Antropologia e Saúde.

029. Emoções, Política e Trabalho

030. Ensinar e Aprender Antropologia

031. Entre nós: perspectivas etnográficas sobre materialidade e temporalidade

032. Estudos africanos em perspectiva

033. Etnografias da morte: um campo em permanente diálogo

034. Etnografias do Capitalismo: Perspectivas, Dilemas e Expansão das fronteiras

035. Etnografias no ciberespaço

036. Fluxos e agenciamentos terapêuticos em contextos religiosos

037. Fluxos, deslocamentos e circulação de coisas e pessoas

038. Folclore, cultura popular e patrimônio imaterial: noções, questões e tensões da prática antropológica

039. Formas expressivas nas culturas populares

040. Fronteiras e imaginários da prostituiçao

041. GT Ritmos da Identidade: Música, Juventude e Identidade

042. GT: Estéticas Populares: arte, imagem e cultura

043. Higienismo, saúde e sociedade: políticas, valores e práticas ontem e hoje

044. Histórias da Antropologia: pessoas, instituições e obras no Brasil e na América Latina

045. Histórias indígenas e Contextos do Indigenismo: classificações, territórios e reflexividade cultural

046. Impactos de projetos de desenvolvimento no contexto de acelaração de crescimento: Povos e comunidades tradicionais, populações atingidas

047. Impactos Socioambientais e Povos Tradicionais na América Latina: reestruturação territorial, conflitos e novos aportes teóricos

048. Implicações e desafios da participação dos sujeitos de direito na regulamentação da 169, realidade brasileira e américa latina

049. INDIOS E NEGROS NA FORMAÇÃO DO BRASIL: Estudos em Antropologia do Colonialismo

050. Intervenções no espaço urbano e produção de alteridades

051. Juventudes, Formas de Expressão, Processos de Identificação e Relações de Poder

052. Laudos antropológicos: novas demandas e impasses entre o campo antropológico e o jurídico

053. Laudos Antropológicos: novos desafios e enfoques

054. Lugares, corporalidades e objetos na produção social dos eventos críticos

055. Manifestações culturais: ritos e tradições em movimento

056. Materialidades do Sagrado

057. Mercados (in)visiveis, formalidades implícitas: etnografías para repensar o ilegal, o informal e o controle

058. Migrações e deslocamentos

059. Mobilidades contemporâneas: cruzando fronteiras entre contextos globais e locais

060. Movimentos indígenas, políticas indígenas e indígenas na política: Repensando a política interétnica indígena para o Século XXI

061. Múltiplos discursos e práticas sobre drogas: medicina, direito e consumidores

062. Museus Indígenas e Etnomuseologia: experiências de construção e reconstrução de saberes e subjetividades

063. NOVAS FRONTEIRAS DO FAZER ANTROPOLÓGICO: diálogos entre pesquisadores, consultores e gestores das políticas indigenistas de educação.

064. Ofícios e profissões: memória social, identidades e construção de espaços de sociabilidade

065. Os estudos socioespaciais e a antropologia contemporânea: trajetórias, diálogos e cooperação

066. Partos e/ou maternidades e políticas do corpo: perspectivas antropológicas e expansão de fronteiras

067. Práticas Estatais, Formas de Engajamento Político e Relações Pessoais.

068. Processos de Reconhecimento Oficial de Terras Indígenas e Violações de Direitos entre os Guarani e os Kaiowá no sul de Mato Grosso do Sul e no oeste do Paraná

069. Quilombos no Brasil: 25 anos de direitos na Constituição Federal de 1988

070. Religião e conflito

071. Religiões e percursos de saúde no Brasil hoje: as “curas espirituais”

072. Religiões em Movimento: Transnacionalização Religiosa

073. Rituais, festas e celebrações

074. Saúde e Cultura: um diálogo a partir das práticas terapêuticas culturais e religiosas

075. Sensibilidades jurídicas e sentidos de justiça na contemporaneidade: interlocução entre antropologia e direito

076. Sexualidade, gênero e parentesco: permanências e transformações contemporâneas

077. Sons, práticas e sentidos: perspectivas antropológicas

078. Territórios do cotidiano: processos e dinâmicas de constituição das populações do campo

079. Turismo e Patrimônio na Pos Modernidade

080. Turismo e políticas urbanas: efeitos sobre populações locais e ambiente.

081. “Antropologia das Populações Costeiras: Práticas Sociais e Conflitos”

082. • Antropologia do desenvolvimento e crítica epistêmica: Enfoques e estratégias teórico-metodológicas recentes

083. Etnografias da Deficiência

sexta-feira, 23 de maio de 2014

principais artigos da AAA para ler

Os artigos abaixo estão livres para a leitura sem qualquer cobrança de valores. O que é uma boa notícia. Esperamos que toda a produção algum dia seja também acessível sem custos para estudantes e pesquisadores. Façam bom proveito e boa leitura!

 
American Anthropologist   American Ethnologist
Body Ritual among the Nacirema   Reflections on #Occupy Everywhere: Social
media, public space, and emerging logics
of aggregation
     
Annals of Anthropological Practice   Anthropology & Education Quarterly
Neuroanthropology and its Applications: An Introduction   Who's Coming to My Party? Peer Talk as
a Bridge to Oral Language Proficiency
     
Anthropology and Humanism   Anthropology News
Violence and Recreation: Vacationing in the Realm of Dark Tourism   Anthropology as a Sustainability Science
     
Anthropology of Consciousness   Anthropology of Work Review
Ayahuasca as Antidepressant? Psychedelics and Styles of Reasoning in Psychiatry   Can a Plantation be Fair? Paradoxes and Possibilities in Fair Trade Darjeeling Tea Certification 
     
Archeological Papers of the AAA   City & Society
Gender, Households, and Society: An Introduction   Insurgent Citizenship in an Era of Global Urban Peripheries
     
Culture, Agriculture, Food and Environment   Ethos
Development, Land Use, and Collective
Trauma: The Marcellus Shale Gas Boom
in Rural Pennsylvania
  What a Dog Can Do: Children with Autism and Therapy Dogs in Social Interaction
     
General Anthropology Bulletin   The Journal of Latin American and Caribbean Anthropology
Modern Human Origins   The Mysterious Maya of National Geographic
     
Journal of Linguistic Anthropology   Medical Anthropology Quarterly
“What's in Your Lunch Box Today?”: Health, Respectability, and Ethnicity in the Primary Classroom   The “Childhood Obesity Epidemic”
     
Museum Anthropology   North American Dialogue
THE DEVIL IS IN THE DETAIL: Museum Displays and the Creation of Knowledge   Pathologies of Power: Health, Human Rights,
and the New War on the Poor
     
PoLAR: Political and Legal Anthropology Review   Transforming Anthropology
Studying Up Revisited   Telling the Story Straight: Black Feminist Intellectual Thought in Anthropology
     
Visual Anthropology Review    
Mediajourneys: Looking at People, Looking for People

quinta-feira, 22 de maio de 2014

notes from the ethnoground

“Como um etnobotânico e antropólogo vivendo na amazônia brasileira, frequentemente viajo no que Wade Davis chama de ‘a etnoesfera.’ Uso este blog para refletir sobre jornadas e explorações ambas externas e internas, recentes e antigas.”

excelente blog do Glenn H. Shepard (Museu Emílio Goeldi) [em inglês]

http://ethnoground.blogspot.com

segunda-feira, 7 de abril de 2014

ensaio sobre mal-entendidos interétnicos

Resumo: Exploro aqui o fenômeno conhecido por termos como méconaissance, cross purposes, mal-entendidos produtivos, compatibilidades equivocadas, etc., todos se referindo às consequências sociopolíticas da comunicação imperfeita no contexto das relações interétnicas entre povos indígenas e a sociedade nacional. De uma gama variada, seleciono três conceitos pelo flagrante contraste entre as interpretações indígenas e nacionais: democracia, poder e nepotismo. Esses conceitos e suas respectivas práticas exemplificam uma nova face do indigenismo, tanto no Brasil como alhures, que em vez de fricção interétnica, poderíamos chamar de fricção epistêmica.

Para ler o ensaio na íntegra: http://www.dan.unb.br/images/doc/Serie_444.pdf