sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Expulsão dos Demônios Antropológicos da Torre de Marfim

antapli1

 

Dezembro de 2014, Pádua, Itália
Segundo Simpósio Internacional de Antropologia aplicada
Autores: Meta Gorup & Dan Podjed

 

 

 

 

No início de dezembro de 2014, a cidade italiana de Pádua sediou o segundo simpósio internacional Por que o mundo precisa de antropólogos, que foi assistido por mais de 200 visitantes da Europa e mais além. No evento, organizado anualmente pela Rede Antropologia Aplicada da Associação Europeia de Antropólogos Sociais (EASA), em colaboração com várias instituições, os alto-falantes e o público tentou descobrir como estabelecer uma cooperação entre a antropologia acadêmica e aplicada.

De negócios arriscados no Afeganistão para abrir ecossistemas

O evento foi aberto por Vanda Pellizzari Bellorini, assessora do prefeito de Pádua, e Simone Borile, presidente e diretora da Universidade Campus CIELS, que expressou uma recepção para o auditório lotado no Centro Cultural de Altinate / San Gaetano, no centro da cidade de Pádua. Os participantes, em seguida, embarcaram numa jornada que os levou de empresas arriscadas de Antonio Luigi Palmisano, professor italiano de antropologia social e econômica na Universidade de Salento, através de ousadia os desafios de negócios de Rikke Ulk, antropólogo e CEO da empresa de consultoria dinamarquesa Antropologerne, para se familiarizar com ecossistemas abertos, que ajudam a melhorar a experiência do usuário, que foram introduzidos por Michele Visciola, co-fundador da empresa com sede em Turim Experientia.

Diversas idéias para o trabalho prático de antropólogos continuaram durante o painel de discussão aquecida, que foi moderada por Dan Podjed, coordenador da EASA Rede Antropologia Aplicada. Para além dos três palestrantes, a discussão contou com Desirée Pangerc, professor de Antropologia Aplicada da Universidade Campus Ciels e tenente do exército italiano, e Peter Simonič, observador e promotor da mudança política e professor assistente na Faculdade de Letras da Universidade de Ljubljana.

O simpósio internacional é um resultado da colaboração entre instituições eslovenas, italianas, holandesas e internacionais. Além do principal organizador, a EASA Rede de Antropologia Aplicada, o evento deste ano foi organizado pela Universidade Campus Ciels, Universidade de Ljubljana, Centro de Investigação da Academia Eslovena de Ciências e Artes, Universidade Livre de Amsterdã, e a Associação Eslovena de Etnologia e Antropologia KULA. O simpósio foi patrocinado pela Agência de Investigação Eslovena.

Advogando para o Estado de Direito

Antonio Luigi Palmisano
Professor Antonio Luigi Palmisano
Além de sua carreira acadêmica bem-sucedida, o primeiro orador, Antonio Luigi Palmisano, atuou como consultor em várias missões internacionais e civis na África, América Latina e Ásia. Ele explicou que os antropólogos em zonas de conflito podem desempenhar um papel crucial na mediação entre as autoridades governamentais e grupos étnicos com seus próprios sistemas jurídicos. De 2002 a 2004, Palmisano trabalhou no Afeganistão onde operou como um intermediário entre o governo e as minorias, e com vista a conciliar os povos que têm por décadas vivido em meio a conflitos armados. Ele considerava-se tão bem sucedido em suas funções, também porque o estabelecimento de diálogo e compreensão mútua é mais simples do que costumamos imaginar que ele seja - no entanto, seus compromissos foram frequentemente dificultado pelos objetivos "superiores" do sistema capitalista, que é apoiado por lobbies dos advogados. Ele enfatizou que os antropólogos devem lutar contra o sistema existente e incentivar o Estado democrático e legal nas regiões onde esses mecanismos parecem ser utópicos no momento.

Antropólogos podem fazer entender o sentido do mundo dos negócios

Rikke Ulk
A próxima oradora tomou o simpósio em Pádua a uma esfera bem diferente. Rikke Ulk é CEO da empresa dinamarquesa Antropologerne que realizou consultoria para diversas organizações dinamarqueses e internacionais, entre outros no campo da saúde, educação, tecnologia, empregabilidade, energia e alimentos. Durante a transferência de seus conhecimentos e habilidades em prática antropológica sobre os negócios soube que "o mundo precisa de antropólogos porque faz sentido, nós nos importamos, temos uma visão, e envolvemos as pessoas." Para engajar com êxito as pessoas para as análises, uma boa comunicação é crucial; no entanto, fazer as perguntas certas é de semelhante importância vital . Rikke Ulk acredita que as empresas também podem contribuir para melhorar as nossas condições de vida, mas somente se as suas questões chegarem além do seu desejo de lucro - e antropólogos são os únicos que podem ajudá-los com as perguntas certas.

Os sistemas abertos permitam a experimentação

Michele Visciola
O terceiro orador foi Michele Visciola de consultoria Experientia que se esforça para melhorar a experiência do usuário nas áreas de tecnologia e inovação. Apesar de não ser formalmente treinado como um antropólogo, Visciola compreende plenamente a importância de abordagens antropológicas e etnografia em melhorar a experiência do usuário. Ele ressaltou que "a inovação tecnológica é 'simples'. É difícil, porém, para criar conexões que realmente trabalham em um determinado ecossistema tecnológico. Nosso papel é criar condições que permitam aos ecossistemas colaborarem. "Em sua opinião, é apenas em sistemas abertos que permitem a experimentação e que são, portanto, crucial para o futuro do desenvolvimento tecnológico.

Onde estão os limites da autonomia?

A discussão final, moderado por Dan Podjed, coordenador da EASA Rede Antropologia Aplicada, abriu uma série de temas ardentes. Os convidados salientaram, por exemplo, que os antropólogos são sempre empregados por alguém, seja o estado, uma missão internacional ou uma empresa multinacional, que em ambos os casos influencia seu trabalho e do nível de sua autonomia. Ressaltaram, ainda, alguns dos pontos fracos dos antropólogos que se tornam particularmente visível fora da esfera acadêmica: suas reações são muitas vezes lentas e complicadas nas suas respostas, enquanto os clientes esperam respostas rápidas, diretas e precisas. Por isso é muito importante colaborar com especialistas de outras áreas que podem oferecer novos insights e ajudar no ajuste abordagens dos antropólogos. Como Rikke Ulk resumiu: ". Antropologia é e deve ser um ecossistema aberto pronto para inclusão e experiência" Desirée Pangerc chamou a atenção para o fato de que os antropólogos costumam dar uma impressão de intelectuais inacessíveis enquanto suas tarefas cruciais na verdade consistem no estabelecimento de contatos entre as pessoas que podem permitir a colaboração e compreensão mútua. Peter Simonič chamou a atenção para o papel fundamental dos antropólogos em contextos locais. Eles podem fornecer informações valiosas e, ao fazê-lo, ajudar as pessoas a compreender seus ambientes e incentivar novas iniciativas para a mudança positiva.

Próximas etapas da Ljubljana, Slovenia

O segundo simpósio internacional Por que o mundo precisa de antropólogos mostrou que numerosos antropólogos europeus já deixaram a torre de marfim acadêmica e que seus números continuam crescendo. Como implicado pelo design gráfico do evento, uma interpretação de Giotto Fresco A expulsão dos demônios de Arezzo, a antropologia Europeia lenta mas persistentemente tem expulsado seus demônios do passado, que impedem o desenvolvimento da disciplina. Parece que o interesse dos antropólogos para a aplicação de conhecimento antropológico fora da academia está crescendo. O próximo passo, no entanto, vai exigir que a antropologia convença os outros sobre a sua utilidade - e este é precisamente um dos objetivos importantes do próximo simpósio que terá lugar em 2015, em Ljubljana, na Eslovénia.

Você pode ver grandes versões destes e outras fotos do mesmo em nossa página no Facebook: www.facebook.com/EASAAAN

O destino da antropologia - a extinção ou renascimento?
29 de novembro de 2013 em Amsterdam Tropenmuseum
Autores: Meta Gorup (Universidade de Ghent), Janja Stefanic (Universidade de Ljubljana)

O primeiro simpósio Rede Antropologia Aplicada EASA, intitulado Por que o mundo precisa de antropólogos, que teve lugar em 29 de Novembro de 2013, Tropenmuseum Amsterdã, oferecidas várias respostas para a questão da queima colocada no título do evento. O evento atraiu cerca de 200 pessoas de toda a Europa e contou com três antropólogos aplicados mundialmente famosos: Anna Kirah (Making Waves, Noruega), Jitske Kramer (HumanDimensions, Países Baixos), e Simon Roberts (Stripe Partners, Reino Unido).

Seus discursos inspiradores foram seguidos por uma intrigante discussão do painel moderado por Dan Podjed, coordenador da EASA Rede Antropologia Aplicada. Os convidados do painel de discussão eram um grupo heterogéneo de (mais ou menos), antropólogos aplicados e especialistas que de perto colaboram com eles: Professor Rajko Muršič da Universidade de Ljubljana, professora Marina de Regt da VU University Amsterdam, chefe do departamento de curadoria de Tropenmuseum Wayne Modest, antropóloga e jornalista holandêsa Nadia Moussaid, e Gregor Cerinšek, pesquisador e gerente de projetos do Instituto de Inovação e Desenvolvimento na Universidade de Ljubljana.

O evento em Amsterdam foi um resultado da colaboração entre eslovenos e holandêses e instituições internacionais. Além EASA Rede Antropologia Aplicada, o evento foi organizado pela VU University Amsterdam, Universidade de Ljubljana, Associação Antropológica holandêsa, Tropenmuseum e Instituto de Inovação e Desenvolvimento da Universidade de Ljubljana. Patrocinadores de recursos foram fornecidos pela fundação holandesa Vamos Bien !, Agência de Pesquisa eslovena, e empresa eslovena Metronik. A realização do simpósio foi cuidado por alunos da VU University Amsterdam Departamento de Antropologia, Dan Podjed da Universidade de Ljubljana, Ellen Bal e Rhoda Woets da VU University Amsterdam, e Meta Gorup da Universidade de Ghent.

O evento foi aberto pelo antropólogo holandês Ellen Bal, professor da VU University Amsterdam que saudou o salão Tropenmuseum completo. Havia estudantes de antropologia e graduados entre o público, assim como muitos (aplicados) antropólogos estabelecidos, unidas por representantes de outras disciplinas interessadas em colaboração com os antropólogos. Ellen Bal reconheceu com razão, que uma resposta tão numerosa e diversa significa que a missão dos antropólogos é uma questão chave exigindo uma resposta imediata.

Anna Kirah, Making Waves
O primeiro orador, a antropóloga do design mundialmente famosa  Anna Kirah que começou sua carreira em empresas como Microsoft e Boeing e é hoje diretora-chefe experiência (CXO) em companhia norueguesa Making Waves, já ofereceu várias respostas de apoio para a pergunta por que o mundo precisa antropólogos. Ela incentivou antropólogos não terem medo de voar por cima da borda e sair da academia. Na sua opinião, a tarefa dos antropólogos é para facilitar a mudança, permanecendo humilde e ciente de que não somos especialistas. Apesar disso - ou exatamente por causa disso - que podem envolver-se especialistas no processo de mudança. Ao fazer isso, tornam-se fundamentais no atendimento e melhoria do produto. Convencido de seus benefícios, Anna Kirah sempre emprega abordagem centrada no homem para a criação de tecnologias, aplicações e objetos não só para as pessoas, mas com o povo. Na sua opinião, é por isso que o mundo precisa de antropólogos: porque eles são treinados para compreender diversos pontos de vista e sabem como se entrelaçam aspectos aparentemente não relacionados.

Jitske Kramer, Dimensões Humanas
O primeiro discurso foi seguido pela palestra da antropóloga holandêsa Jitske Kramer das Human Dimensions instituição que opera nas esferas da diversidade, relações interculturais, e mudança organizacional nas empresas. Como o orador anterior, Jitske Kramer também enfatizou que como antropóloga que ela não pode ser a mudança organizacional, mas ela pode facilitar a mudança, permitindo que os membros da organização a entender os eventos e atividades cotidianas. Ela acredita que é possível mudar o sistema, mas isso só pode ser alcançado através da compreensão do sistema e não por destruí-lo. Para ser capaz de fazê-lo, estudando organograma de uma empresa e realizando uma análise minuciosa de negócios não é suficiente. É necessário saber como as relações entre os membros da organização são formados e qual a sua influência sobre o negócio. O próximo passo representa o grande desafio - como introduzir a mudança organizacional de uma forma inclusiva, ou seja, de uma forma que é agradável para os membros da organização. Na sua opinião, a única maneira de realizar isso é através da compreensão por que as pessoas agem e fazem as coisas da maneira que eles fazem, e por isso que gostaria de mudar isso em primeiro lugar. Afinal, o objetivo da mudança é conectar as pessoas em sua diversidade, e esta é uma tarefa que se encaixa perfeitamente as habilidades dos antropólogos.

Simon Roberts, Stripe Partners
O último orador foi Simon Roberts, antropólogo empresarial britânico com mais de dez anos de experiência em pesquisa tecnológica e desenvolvimento estratégico - incluindo corporação internacional de tecnologia Intel - que recentemente criou uma empresa de consultoria Stripe Partners. Roberts apresentou uma perspectiva muito otimista sobre o papel dos antropólogos em um mundo em constante mudança. Em sua visão, a missão da antropologia é tempo e voltar a oferecer soluções para desafios aparentemente auto-evidente que enfrentamos no dia a dia, como a obesidade e envelhecimento da sociedade. Este processo é impedido por uma diferenciação entre a antropologia acadêmica e aplicada, é por isso que os antropólogos devem se esforçar para esquecer essa divisão "não natural". Só se for feito assim, antropólogos são capazes de oferecer as melhores soluções para o mundo.

discussão
Painel de discussão - a extinção ou renascimento da antropologia?
O simpósio concluído com um painel de discussão moderado por Dan Podjed. Ele começou o debate com a questão de saber se a antropologia será confrontada com o mesmo futuro como o pássaro dodo que foi extinto no século 17. As respostas dos painelistas revelaram que eles prevêem um futuro mais brilhante.

Wayne Modest, chefe do departamento de curadoria em Tropenmuseum, uma instituição que tradicionalmente emprega antropólogos em uma esfera aplicada, salientou que a missão do museu é a introdução de questões problemáticas para um maior público e não apenas para gerar conhecimento.

Marina de Regt, antropóloga da Universidade Livre de Amsterdã, cooperou com organizações não-governamentais no Yemen. Embora este seja um campo aplicado, que muitas vezes emprega antropólogos, ela desenvolveu uma perspectiva crítica sobre a chamada "ajuda ao desenvolvimento".

A antropóloga holandêsa Nadia Moussaid trabalha na estação de televisão AT5. Conhecimentos adquiridos durante seus estudos de antropologia afetam a escolha dos temas que ela escolhe para relatar e muitas vezes ajuda-la com colocando-se em lugar de outras pessoas.

Rajko Muršič, professor na Universidade de Ljubljana, enfatizou a importância da transferência de conhecimento antropológico na prática. Em sua opinião, a antropologia aplicada simultaneamente deve também ser engajada e vice-versa, porque esta é a única forma que permite a antropologia enfrentar e resolver problemas críticos.

Gregor Cerinšek do Instituto de Inovação e Desenvolvimento da Universidade de Ljubljana não é um antropólogo, mas muitas vezes ele colabora com eles em equipes multidisciplinares. Ele sustentou que as contribuições antropológicas são sempre bem-vindos quando se trabalha em tais equipes.

O painel de discussão concluiu com um tema muito comum nas reuniões antropológicos - ética. Esse problema visivelmente perturbou o público e forneceu uma garantia de que o debate sobre o porquê de o mundo precisa de antropólogos e de que forma os antropólogos devem estar engajados em resolver questões problemáticas continuaria durante a recepção a ter lugar depois do simpósio.

O simpósio em Amsterdã não forneceu uma resposta definitiva para a questão do futuro da antropologia, mas, sem dúvida, mostrou que muito pode ser alcançado com o conhecimento e as habilidades antropológicas, e que as acusações comuns de "arte pela arte" da antropologia não são verdadeiras. Antropologia é uma disciplina crucialmente necessária para a compreensão da sociedade contemporânea e permite a mudança positiva, portanto, não está sequer perto de frente para o destino do dodo. Muito pelo contrário: ramos aplicados da antropologia são cada vez mais crescente também na Europa. Portanto, o futuro da antropologia deve ser comparado a uma característica renascimento do Phoenix pássaro místico.

--------------------------------------------

Tradução livre por Davy Sales a partir da fonte original em inglês: http://www.easaonline.org/networks/app_anth/events.shtml

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Três línguas são reconhecidas pelo Iphan como Referência Cultural Brasileira

 

publicado originalmente em http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do;jsessionid=598653EBE759A64BAC30AD3EF327874C?id=18682&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia
 
 
divercidade linguistica

As línguas serão apresentadas em encontro ibero-americano que vai debater políticas públicas para a preservação da diversidade linguística.

Talian, Asurini do Trocará e Guarani Mbya são as primeiras línguas reconhecidas como Referência Cultural Brasileira pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e que agora passam a fazer parte do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), conforme dispõe o Decreto 7387/2010. Essas línguas e os representantes de suas comunidades serão homenageados durante o Seminário Ibero-americano de Diversidade Linguística que vai acontecer em Foz do Iguaçu (PR), entre os dias 17 e 20 de novembro.

O Talian é utilizada por uma parte da comunidade de imigração italiana, na Região Sul do Brasil, sobretudo nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A língua é falada desde que os italianos começaram a chegar ao país, no final do século XIX. Há municípios desses estados nos quais o Talian é língua co-oficial. Ou seja, detém relevância tanto quanto a língua portuguesa.

Asurini do Trocará ou Asurini do Tocantins é a língua falada pelo povo indígena Asurini, que vivem as margens do Rio Tocantins, no município de Tucuruí (PA). A língua pertence à família linguística Tupi-Guarani.

Guarani Mbya é uma das três variedades modernas da Língua Guarani, juntamente com o Nhandeva ou Ava Guarani e o Kaiowa. A língua Guarani Mbya é uma das línguas indígenas faladas no Brasil, ocupando uma grande faixa do litoral que vai do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul, além da fronteira entre Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina. Os Guarani representam uma das maiores populações indígenas do Brasil. Estão distribuídos por diversas comunidades.

Seminário Ibero-americano de Diversidade Linguística 
O evento vai discutir políticas públicas para a preservação e promoção da diversidade linguística dos países Ibero-americanos.  O objetivo do encontro é possibilitar a reflexão sobre as experiências e iniciativas desenvolvidas pelos países, como a política brasileira para a diversidade linguística, além de propiciar um espaço de levantamento, sistematização e análise de experiências e iniciativas voltadas à promoção do espanhol e do português como segundas línguas dos países Ibero-americanos, assim como nos Estados Unidos, Canadá, Caribe e África Lusófona.

Durante o Seminário vão ocorrer ainda os seguintes eventos:  Encontro de Autoridades Ibero-Americanas sobre Políticas Públicas para a Diversidade Linguística, reunindo representantes de todos os países que integram a comunidade ibero-americana, e o Fórum Línguas, Culturas e Sociedades, organizado pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA).

O evento é uma parceria do Iphan e do Ministério da Cultura com a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Essa é primeira edição do encontro. A cidade de Foz do Iguaçu foi escolhida para sediar o evento por estar na fronteira do território linguístico do português, espanhol e das línguas minoritárias faladas no espaço ibero-americano.

INDL
Para que uma língua seja reconhecida e passe a fazer parte do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) ela precisa ser falada em território nacional há, pelo menos, três gerações, o marco temporal é em torno de 75 anos. O objetivo do Inventário é associar a expressão linguística à sua comunidade de referência e valorizar a expressão enquanto aspecto relevante do patrimônio cultural brasileiro.

Para fazer é solicitação, é necessário que a comunidade encaminhe o pedido de inclusão no INDL para o Iphan. O pedido é analisado por uma comissão técnica formada por representantes dos seguintes ministérios: Ministério da Cultura, Educação, Ciência Tecnologia e Inovação, Justiça e Planejamento. Se esses representantes decidirem pelo reconhecimento, o processo segue para a sanção da Ministra da Cultura.

Acesse o site para mais informações sobre o Seminário: http://diversidadelinguistica.cultura.gov.br/ 

Serviço: 
Seminário de diversidade linguística – Ibero-americana
Data: 17 a 20 de novembro de 2014
Local: Foz do Iguaçu (PR)
Informações: 
http://diversidadelinguistica.cultura.gov.br/

Assessoria de Comunicação Iphan 
comunicacao@iphan.gov.br
Adélia Soares – adelia.soares@iphan.gov.br
Isadora Fonseca – isadora.fonseca@iphan.gov.br  
(61) 2024-5479/ 9381-7543

www.iphan.gov.br 
www.facebook.com/IphanGovBr | www.twitter.com/IphanGovBr
www.youtube.com/IphanGovBr

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

tecnociência, corpos, gênero e sexualidade

Chamada de artigos - Mediações - Revista de Ciências Sociais

A Comissão Editorial de Mediações, Revista de Ciências Sociais, do Departamento e Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, da Universidade Estadual de Londrina, receberá artigos para o volume 20, número 1, correspondente ao primeiro semestre de 2015. Este número trará o dossiê temático:

Tecnociência, corpos, gênero e sexualidade

Ciência e tecnologia se configuram como dispositivos de produção de verdades e de intervenções sobre o mundo, e sobre os corpos em particular. Temáticas como gênero e sexualidade evidenciam o quanto esses processos são perpassados por tensões e relações políticas. Neste dossiê propomos reunir artigos provenientes de pesquisas empíricas e/ou reflexões teóricas que analisem como gênero permeia a produção do conhecimento científico, como também as implicações desse conhecimento na produção de convenções e intervenções sobre as temáticas em questão.

São bem-vindas pesquisas que discutam o caráter sociopolítico da tecnociência na definição de legitimidades ou ideias regulatórias (normalidades e/ou naturalidades) que afetam a existência cotidiana das pessoas, validando (pre)conceitos e produzindo hegemonias e estigmas de certos traços vinculados aos corpos generificados; trabalhos que abordem o cotidiano de produção do conhecimento científico, sua divulgação, as repercussões do mesmo na vida das pessoas; análises de intervenções biotecnológicas (cirúrgicas, endócrinas/hormonais, protéicas) sobre os corpos sexuais, reprodutivos e generificados. Também serão bem-recebidas contribuições que documentem e analisem agenciamentos mediante a apropriação de intervenções biotecnológicas na produção de transformações corporais que evidenciam dissociações nas convencionais correspondências entre corpo, gênero e sexualidade

Organizadoras: Daniela Manica (UFRJ) e Martha Ramírez-Gálvez (UEL)

Data limite para recepção de artigos: 14 de fevereiro de 2015

As submissões podem ser enviadas através do portal da revista http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/mediacoes ou pelo email: mediacoes@uel.br

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

simetrização hibridismo e agência na antropologia

  • II Seminário Mapeando Controvérsias Contemporâneas
  • simetrização, hibridismo e agência na antropologia
  • 17. nov, 2014 no auditório CFH/UFSC

O Duplo vinco antropológico: Espíritos e bruxos, políticas e ciência (Márcio Goldman MN/UFRJ)

Etnografias multispécies (Bernardo Lewgoy UFRGS, Jean Segata UFRN)

Políticas Etnográficas e o lugar da técnica (Carlos Emanuel Sautchuk UNB, Theóphilos Rifiotis UFSC)

Humanos e não-humanos na antropologia (Sophie Houdart Paris-X Nanterre)

 

Seminario-simetrizaçãoSeminario-simetrização

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

oportunidade consultor unesco

Foi publicado no Jornal de Brasília de 21 de setembro  de 2014,, o Edital de Seleção 16 /2014 - TOR   TERRITÓRIOS – 1 vaga - Projeto UNESCO 914BRZ1144.5 Análise, desafios, necessidades e perspectivas nos Processos de Implementação e Avaliação das Políticas Públicas Educacionais para os Povos  Indígenas, Quilombolas, do Campo, Ciganos e outras Populações em Situação de Itinerância, com prazo para recebimento de currículos até o dia 28 de setembro de 2014, conforme anexos.

O Edital em questão também está disponibilizado no site da UNESCO,

link:http://app3.brasilia.unesco.org/vagasubo/index.php?option=com_phocadownload&view=category&download=2699:914brz1144.5-edital-16-2014&id=1:vagas-em-projetos&Itemid=5

Outros editais da UNESCO:

http://app3.brasilia.unesco.org/vagasubo/index.php?option=com_phocadownload&view=category&id=1&Itemid=5

E no site do MEC: link: Conheça o MEC - Seleção de Consultores” :

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=20117&Itemid=1207

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

anais da 29ª rba

A ABA acaba de publicar os Anais da 29ª Reunião Brasileira de Antropologia. Abaixo listado as atividades por tipo de evento. Ao clicar no título os textos apresentados por cada autor ficam disponíveis à leitura. No final desta lista você pode acessar livremente os Anais completos para ler online ou baixar o cd virtual em seu computador.

Grupos de Trabalho:

Simpósios Especiais:

Mesas redondas:

Comunicações coordenadas:

<< ATENÇÃO >>

REGISTRO ISBN: 978-85-87942-28-9 (ANAIS)

  • Para acessar o CD Virtual com todo o conteúdo da 29ª Reunião Brasileira de Antropologia clique aqui
  • Para baixar o CD Virtual com todo o conteúdo da 29ª Reunião Brasileira de Antropologia clique aqui

REGISTRO ISBN: 978-85-87942-29-6 (Caderno de resumos)

  • Para baixar o Caderno de resumos com todo o conteúdo da 29ª Reunião Brasileira de Antropologia clique aqui

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

explorando a subjetividade animal

por Flávia Dourado - publicado 12/09/2014 14:50 - última modificação 15/09/2014 15:37

O sexto encontro do ciclo de conferências e debates Humanos e Animais: Os Limites da Humanidade terá como tema a subjetividade animal. Organizado peloGrupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia, o evento englobará duas mesas-redondas, que acontecem nos dias 29 e 30 de setembro, às 9h30, no Auditório do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP.

A temática será abordada a partir de uma perspectiva interdisciplinar, tendo como eixo a filosofia, mas passando também pela antropologia, biologia, linguística, psicologia e direito. Segundo o coordenador do encontro, Lorenzo Baravalle, pós-doutorando em Filosofia na USP e integrante do grupo, "o objetivo principal é definir perguntas e esboçar linhas de resposta, mais do que chegar a conclusões definitivas".

Entre as questões a serem discutidas, estão: Quais são as manifestações da subjetividade animal? O tempo possui, em alguns animais, a mesma função unificadora do “eu” que certos autores consideram central para a individualidade e a subjetividade humana? É possível falar de uma consciência da morte nos animais? O conceito de “autonomia”, tomado da filosofia política e do direito, pode ser utilizado para caracterizar a subjetividade animal?

O debate reunirá alguns dos pesquisadores que participaram dos eventos anteriores do ciclo. A mesa-redonda do dia 29 será moderada por Baravalle e contará com três debatedores. Hernán Neira, professor de filosofia política da Universidad de Santiago de Chile (USC), falará sobre a consciência do tempo por parte dos animais. Sua exposição se concentrará na crítica ao pensamento filosófico-biológico de Jakob von Uexküll, particularmente no que diz respeito à distinção entre a temporalidade humana, tida como objetiva, e a animal, tida como subjetiva.

O professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Gustavo Andrés Caponi, vai analisar a heterogeneidade das faculdades cognitivas dos seres humanos e dos outros animais à luz das ideias do naturalista francês Georger-Lous Leclerc, conde de Buffon.

A antropóloga Eliane Sebeika Rapchan, professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), discutirá a existência de uma "subjetividade animal" a partir de resultados de pesquisas que exploraram aspectos ligados a emoções e sentimentos, à consciência, à capacidade simbólica, entre outros, em chimpanzés selvagens e de laboratório.

Com moderação de Caponi, a mesa-redonda do dia 30 também terá participação de três debatedores. Stelio Marras, professor do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, abordará o tema da correspondência animal-humano. Para isso, recorrerá à questão clássica da antropologia "os Bororos são araras" - uma referência ao pensamento simbólico de indígenas brasileiros, os Bororos, que têm a arara como totem e não fazem uma distinção ontológica entre si mesmos e essas aves.

Baravalle, agora como expositor, fará uma reflexão sobre a capacidade dos animais de perceberem a unicidade da experiência - isto é, a existência um "self", com identidade própria - e, a partir disso, vai explorar as potencialidades de um modelo teórico que possibilite uma melhor compreensão da fenomenologia da vida animal.

O professor do Instituto de Filosofía y Ciencias de la Complejidad (Ificc), no Chile, Davide Vecchi, discutirá se a subjetividade é uma propriedade primitiva de todos os seres vivos ou uma faculdade condicionada a certas capacidades biológicas, como a cognição, por exemplo. Na exposição, tratará de dois casos concretos: o sistema imunológico e uma colônia de bactérias.

CICLO

Inaugurado em 2013, o ciclo Humanos e Animais: Os Limites da Humanidade trata das origens, legitimidade e consequências ético-políticas da diferenciação dos seres vivos em humanos, animais e sub-humanos (neste caso, definidos por uma visão preconceituosa, segundo a qual indivíduos de certas etnias, tipos físicos ou gênero sexual são inferiores aos humanos).

O objetivo é discutir os fundamentos filosóficos e epistemológicos mais relevantes do que se entende por humano a partir de uma abordagem interdisciplinar, englobando perspectivas variadas, entre elas as da antropologia, da biologia e da ética.

A organização é do Grupo de Pesquisa Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia do IEA, da Associação Filosófica Scientiae Studia e do Projeto Temático Fapesp Gênese e Significado da Tecnociência: Das Relações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade.

O evento é gratuito e aberto ao público mediante inscrição prévia. Haverá transmissão ao vivo pela web. Para mais informações e inscrições, enviar mensagem para clauregi@usp.br. O Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP fica na rua Praça do Relógio, 160, Cidade Universitária, São Paulo, SP.

domingo, 24 de agosto de 2014

nova nota repúdio ABA demarcação TI Morro dos Cavalos

Associação Brasileira de Antropologia
Comissão de Assuntos Indígenas
Quanto ao processo demarcatório da Terra Indígena Morro dos Cavalos
(Palhoça/SC)
Quanto à série de reportagens intituladas Terra Contestada, publicadas no jornal
Diário Catarinense entre 07 e 11 de agosto de 2014

Apresentação

Não é de hoje que a imprensa catarinense lança reportagens que buscam infirmar os direitos constitucionais territoriais indígenas. Neste sentido, distorce fatos, inverte imagens, apresenta inverdades, estimula controvérsias, lança impropriedades, questiona e acusa profissionais da Antropologia, assim como atribui a responsabilidade à comunidade indígena Guarani de Morro dos Cavalos os atrasos na duplicação da rodovia BR 101 e à construção de dois túneis, culpa-a por atropelamentos e acidentes que ocorrem na rodovia, de ser empecilho ao desenvolvimento, e aponta-a como chaga e estorvo no litoral catarinense. Descreve a regularização fundiária da Terra Indígena como grave problema social, fundiário, ambiental, existencial. Por outro lado, omite interesses econômicos sobre essa terra indígena, declarada pelo Ministro da Justiça em 2008, demarcada fisicamente em 2010 e que ora aguarda a homologação pela Presidente da República. E cumpre notar, ainda mais grave, a irresponsabilidade do órgão de imprensa ao incitar conflitos infundados entre os residentes nas imediações da terra indígena e os índios, além de assacar impropérios contra a reputação profissional de uma antropóloga, pelo desempenho estrito de suas atribuições legais e especializadas.

A mais recente, constitui-se em uma série intitulada Terra Contestada, publicada no período de 07 a 11 de agosto de 2014, pelo jornal Diário Catarinense, pertencente ao grupo Rede Brasil Sul de Comunicação (RBS), afiliado da Rede Globo. Com ela e a matéria veiculada em televisão, no programa Jornal do Almoço, de 09 de agosto, mais uma vez a RBS afronta a boa e séria informação jornalística, impõe ao leitor e telespectador vis decomposições e estilhaços de um contexto embebido em complexidade, não medindo esforços em desfilar e sublinhar uma parcialidade deplorável em defesa de interesses econômicos e políticos que se opõem aos direitos indígenas. A publicação dessa série de reportagens, em momento estratégico, antecede o julgamento da Ação no Supremo Tribunal Federal que pede a nulidade do processo de regularização da Terra Indígena Morro dos Cavalos, movida pelo governo do Estado de Santa Catarina.

No dia 12 de agosto, após digerir com dor e perplexidade a mais esse ataque orquestrado na imprensa, lideranças Guarani criticaram e rebateram as insidiosas afirmações veiculadas. Em coletiva à imprensa na Coordenação Regional Litoral Sul da Funai, os indígenas teceram duras críticas à RBS. Refutaram as posições externadas pelo órgão de comunicação, e exigiram direito de resposta, de lhes serem dadas voz e vez. Reafirmaram o que é consensual nas aldeias guarani em Santa Catarina, de que Milton Moreira, único indígena ouvido pela RBS, não representa nem possui qualquer legitimidade para falar em nome dos Guarani. Também repudiam o uso político dessa dissidência, afastada de Morro dos Cavalos e de outras comunidades por motivos diversos, inclusive por “vender” uma extensão da terra indígena ao valor de uma cesta alimentar básica, em 1987.

A coordenadora do grupo técnico que conduziu os estudos de identificação e delimitação da Terra Indígena Morro dos Cavalos, antropóloga Maria Inês Ladeira (Centro de Trabalho Indigenista/SP), é profissional provida de integral competência nos assuntos e estudos referentes aos Guarani, o que inclui as demandas territoriais, assumidas no artigo 231 da Constituição Federal de 1988. A CAI-ABA, conhecedora da excelência de sua pesquisa e atuação junto a grupos Guarani desde finais da década de 1970, reconhece sua autoridade e a envergadura qualitativa de seu trabalho.

Ao mesmo tempo, a CAI-ABA refuta de forma peremptória a contratação do senhor Edward Luz pela Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma), para elaboração de laudo antropológico no âmbito do Processo nº 2009.72.00.002895-0 (Juízo Federal da Vara Ambiental de Florianópolis/SC), cuja inicial requer a nulidade do processo demarcatório da Terra Indígena Morro dos Cavalos, movida contra a União (AGU) e a Funai. Ressalta que Edward Luz não mais compõe a Associação Brasileira de Antropologia desde 11 de janeiro de 2013, quando foi expulso dada sua postura não compatível com a ética profissional estabelecida por essa Associação, e por proferir declarações equivocadas e reducionistas, inteiramente desprovidas de rigor e embasamento científico. Em visível afronta ao estabelecido na Constituição Federal de 1988, a atuação profissional de referido antropólogo tem se pautado em denegar os direitos dos povos indígenas, em direta sintonia com os interesses das redes políticas das quais participa, de forte viés conservador e autoritário. A ABA enfaticamente deslegitima qualquer atuação de Edward Luz como antropólogo.

Assim, a ABA se junta às posições do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Movimentos Indígenas, Políticas Indigenistas e Indigenismo (LAEPI) do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação sobre as Américas (CEPPAC/UnB) e dos participantes do XV Encontro Estadual de História da ANPUH-SC (abaixo), ao se manifestar contrariamente à atuação de Edward Luz.

Procuramos médicos ou advogados expulsos de suas organizações de categoria ou de conselhos reguladores da atuação profissional? Por que, então, um órgão público estadual, com dinheiro público, contrataria um antropólogo expulso da ABA para elaboração de um laudo sobre os indígenas Guarani, de quem, além de tudo, não tem o menor conhecimento?

Brasília, 18 de agosto de 2014.

sábado, 23 de agosto de 2014

egon, meu irmão

Egon Schaden, nascido em São Bonifácio (Santa Catarina) em 1913, deixou sua marca na antropologia brasileira, como professor na Universidade de São Paulo e pesquisador de grupo indigenas no sul do Brasil.

Realização Carmen Rial e Matias Godio - Produção NAVI

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

procedimentos éticos e a pesquisa em antropologia

image

 

A ABA disponibiliza o livro que resulta do Ciclo de Estudos e Debates sobre procedimentos éticos e a pesquisa em antropologia, organizado por Telma Camargo da Silva. Os links abaixo estão no portal da associação e tem acesso livre:

Clique aqui para visualizar em PDF
Clique aqui para visualizar em EPUB
Clique aqui para visualizar em MOBI

 

 

imageimage

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

manifestação de repúdio contra edward luz, o difamador inimigo dos povos indígenas

Manifestação de repúdio à série de reportagens intitulada “Terra Contestada”, publicada no jornal Diário Catarinense entre 07 e 11 de agosto de 2014 apoiada em declarações do doutorando do PPG/CEPPAC Edward M. Luz

            O corpo docente do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação sobre as Américas (CEPPAC) e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Comparados (PPG/CEPPAC) da Universidade de Brasília (UnB), presente na 134ª Reunião do Colegiado do PPG/CEPPAC no último dia 20 de agosto de 2014 às 14h40, na sala Professor Roberto Cardoso de Oliveira, discutiu e concorda em manifestar publicamente repúdio à série de reportagens intitulada “Terra Contestada” e também ao modo parcial e injurioso como as reportagens se referiram à comunidade indígena Guarani de Morro dos Cavalos, à antropóloga Maria Inês Ladeira do Centro de Trabalho Indigenista (CTI), e aos funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai), servindo-se para tal das declarações proferidas pelo doutorando do PPG/CEPPAC, Edward Mantoanelli Luz.

            Observa-se na série de reportagens mencionadas, que as declarações e opiniões de Edward Mantoanelli Luz se apoiam em laudo antropológico elaborado por ele a partir de contrato celebrado com a Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma), no âmbito do Processo nº 2009.72.00.002895-0 (Juízo Federal da Vara Ambiental de Florianópolis/SC), cuja inicial requer a nulidade do processo demarcatório da Terra Indígena Morro dos Cavalos, movida contra a União (AGU) e a Funai. A esse respeito é imprescindível informar publicamente que Edward Mantoanelli Luz encontra-se em fase de conclusão da tese de doutoramento sobre: “Pós-materialismo, novas organizações civis e mudanças na cultura política no Brasil e nos Estados Unidos”. A referida tese em elaboração não possui relação com estudos sobre questões indígenas, disputas territoriais ou procedimentos demarcatórios, tampouco com a realidade sociocultural da comunidade indígena Guarani de Morro dos Cavalos, conforme atestado por seu Currículo Lattes (http://lattes.cnpq.br/7968984077434644, acessado em 20/08/2014). Ademais, cabe acrescentar que o CEPPAC não faz indicações ou recomendações de pós-graduandos para realização de trabalhos técnicos ou periciais por compreender que sua finalidade regulamentar é formar docentes, pesquisadores e profissionais de alto nível destinados a atuarem no ensino superior, instituições públicas e privadas, organismos sociais, empresariais e internacionais e onde mais seja necessário o conhecimento sobre as Américas. Nesse sentido, consideramos desaconselhável a atuação profissional de estudantes de pós-graduação em formação como peritos ou técnicos em processos e matérias que não tenham por finalidade favorecer sua formação científica, de tal modo, que este tipo de atuação seria recomendável somente com a supervisão de profissionais e pesquisadores doutores com conhecimento cientificamente comprovado sobre a realidade em questão ou que seja realizado por profissionais de nível inferior de formação com o devido respaldo da associação científica ou conselho profissional responsável pela área de atuação em questão, além das situações previstas para o exercício profissional da antropologia junto a órgãos públicos, de modo a evitar prejuízos de caráter moral, físico ou material a terceiros.

            Sendo assim, lamentamos profundamente a veiculação da série de reportagens “Terra Contestada” e o envolvimento do estudante Edward Mantoanelli Luz na mesma considerando tratar-se de matéria de conteúdo parcial, desinformativo e explicitamente lesivo à integridade e idoneidade da comunidade indígena Guarani de Morro dos Cavalos, à antropóloga Maria Inês Ladeira do CTI e a funcionários da Funai responsáveis por dar assistência à comunidade indígena.

            Compreendemos, na qualidade de professores e cientistas sociais, que o conteúdo das reportagens e das declarações e opiniões de Edward Mantoanelli Luz nessa série de reportagens, assim como em outros espaços, eventos e meios de comunicação sobre os direitos dos povos indígenas do Brasil e sobre a atuação de antropólogos e funcionários públicos, não refletem o conhecimento produzido no âmbito do PPG/CEPPAC, onde dezenas de publicações técnicas e científicas vem comprovar precisamente a legitimidade e idoneidade dos procedimentos de regularização fundiária de terras indígenas promovidos pela Funai, que asseguram amplamente o direito ao contraditório durante todo o processo de regularização fundiária.

            Por ser esta nossa posição redigimos esta manifestação de repúdio que deverá ser imediatamente publicada na página eletrônica do CEPPAC, no mural do CEPPAC e encaminhada às pessoas, comunidades e instituições implicadas.

Brasília, D.F., 20 de agosto de 2014

Prof. Dr. Luiz Guilherme de Oliveira

Coordenador de Pós-Graduação e Presidente do Colegiado do PPG/CEPPAC

Profa. Dra. Flávia Lessa de Barros

Diretora do CEPPAC

Prof. Dr. Camilo Negri

Prof. Dr. Cristhian Teófilo da Silva

Profa. Dra. Délia Dutra

Prof. Dr. Jacques de Novion

Prof. Dr. Leonardo Cavalcanti

Profa. Dra. Rebecca Lemos Igreja

Profa. Dra. Simone Rodrigues Pinto

Prof. Dr. Stephen Grant Baines

Mestranda Mara Palhares

Representante discente

Membros do Colegiado do PPG/CEPPAC

domingo, 3 de agosto de 2014

tristes trópicos flip 2014

Mesa com Eduardo Viveiros de Castro (Museu Nacional) e Beto Ricardo (instituto SocioAmbiental) e mediação de Eliane Brum.

A conversa na íntegra está nos cinco vídeos abaixo.

terça-feira, 29 de julho de 2014

os ashaninka são os anfitriões

No dia 29 de junho de 2014, um povo indígena isolado estabeleceu o primeiro contato com indígenas da etnia ashaninka e servidores da Funai, na Aldeia Simpatia da Terra Indígena Kampa e Isolados do Alto Rio Envira, no Estado do Acre, na região de fronteira do Brasil com o Peru (Altino Machado)

sexta-feira, 25 de julho de 2014

livros da programação e resumos da 29ª RBA

O livro-resumo da programação e o livro de resumos da 29a RBA estão disponíveis.

Clique aqui Programação Completa (volume em PDF com 282 pág)

Clique aqui Caderno de Resumos (volume em PDF com 1.725 pág)

sábado, 19 de julho de 2014

os mil nomes de gaia: do antropoceno à idade da terra

Colóquio Internacional
Os Mil Nomes de Gaia: Do Antropoceno à Idade da Terra
De 15 a 19 de setembro de 2014
Local: Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro

Realização:
Departamento de Filosofia da PUC-Rio
PPGAS do Museu Nacional – UFRJ

“Há um sentimento crescente na cultura contemporânea de que a “humanidade” e o “mundo” — a espécie e o planeta, as sociedades e seus ambientes, mas também o sujeito e o objeto, o pensamento e o ser — entraram, já faz algum tempo, mas apenas agora com uma evidência cada vez mais difícil de ignorar, em uma conjunção cosmológica nefasta, associada frequentemente aos nomes controversos de Antropoceno e Gaia. O primeiro termo designaria um novo tempo, ou antes um novo conceito e uma nova experiência da temporalidade, nos quais a diferença de magnitude entre a escala da história humana e as escalas cronológicas da biologia e das ciências geofísicas diminuiu dramaticamente, senão mesmo tendeu a se inverter, com o “ambiente” mudando mais depressa que a “sociedade” e o futuro próximo se tornando, com isso, cada vez mais imprevisível e ominoso. O segundo, “Gaia”, nomearia uma nova maneira de ocupar e de imaginar o espaço, chamando a atenção para o fato de que nosso mundo, a Terra, tornado, de um lado, subitamente exíguo e frágil, e, de outro lado, suscetível e implacável, assumiu a aparência de uma Potência ameaçadora que evoca aquelas divindades indiferentes, imprevisíveis e incompreensíveis de nosso passado arcaico. Imprevisibilidade, incompreensibilidade, sensação de pânico diante da perda do controle, e talvez mesmo de perda da esperança: eis o que são certamente desafios inéditos para a orgulhosa segurança intelectual e o destemido otimismo histórico da modernidade. O título do colóquio, Os Mil Nomes de Gaia: do Antropoceno à Idade da Terra, faz assim referência a estes dois conceitos emblemáticos dentro do que chamaríamos de pensamento contemporâneo da crise.

Leia o Position Paper completo aqui

site do evento: http://osmilnomesdegaia.eco.br/

segunda-feira, 14 de julho de 2014

antropólogos, a arma secreta das empresas

texto originalmente publicado em: http://www.publico.pt/sup-economia/jornal/antropologos--a-arma-secreta-das-empresas-303210

Deslocam-se ao terreno, percebem os consumidores melhor do que ninguém e descobrem o que falta nas suas vidas. Sem darmos por isso, os antropólogos entraram no mundo dos negócios Ana Rita Faria (texto)

Para uns, é o estudo da evolução do homem ao longo dos milhões de anos em que habita o planeta Terra. Para outros, uma ciência que se confunde com as ossadas dos dinossauros, os vestígios de civilizações antigas e até a figura heróica de Indiana Jones. O mistério reina em torno da antropologia mas, no mundo actual, esta disciplina está a ganhar cada vez mais espaço dentro das empresas.

Algumas das maiores companhias mundiais, como a Microsoft, Nokia e IBM, integram antropólogos nas suas equipas, que as ajudam a conhecer melhor os apetites dos consumidores e a pensar em novos produtos. Só a Intel tem 25 profissionais desta área e foi neles que se alicerçou para deixar de ser apenas uma fabricante de chips e passar a vender directamente ao consumidor (ver texto na outra página).

Mas, em termos práticos, o que fazem realmente os antropólogos dentro das empresa? O ponto de partida é usar os tradicionais métodos antropológicos - observação minuciosa, entrevistas aprofundadas e documentação sistemática - para conhecer os consumidores e ver o que falta nas suas vidas - o telemóvel ideal, uma mobília para a casa, um computador diferente. Segue-se o trabalho com designers e engenheiros para os ajudar a conceber produtos e serviços que encaixam nessas necessidades.

Os exemplos abundam. Foi com a ajuda de antropólogos que a Intel criou o seu portátil para os mercados emergentes (e que, em Portugal, deu origem ao "Magalhães") e que a Apple criou uma organização diferente no "desktop" dos seus computadores. É também graças a estes profissionais que a Samsung está a tentar repensar as suas televisões na era digital e que a Nokia foi a primeira a lançar telemóveis com várias listas de contactos.

Contudo, nem sempre se trata apenas de desencantar um novo produto ou serviço que conquiste os consumidores. Há alturas em que os antropólogos mudam realmente o próprio curso dos acontecimentos dentro de uma empresa e a sua estratégia. Foi o caso da Lego.

Uma incursão ao mundo dos brinquedos e da TV

Quando Jorgen Vig Knudstorp assumiu a direcção da fabricante dinamarquesa de brinquedos em 2004, o cenário era catastrófico. As vendas caíam a olhos vistos, o custo de produção era elevado e as dívidas não paravam de aumentar. Foi neste contexto que a ReD Associates foi chamada a intervir.

Composta por antropólogos, sociólogos e psicólogos, esta consultora dinamarquesa já trabalhou para empresas como a Adidas, Vodafone e Coca-Cola mas teve na Lego um dos seus maiores desafios. "A empresa tinha perdido a sua relação com as crianças", explica ao PÚBLICO Christian Madsbjerg, membro da consultora.

Para perceber o que se passava, a equipa de cientistas sociais passou quatro meses a trabalhar com um grupo de 100 crianças. Falaram e brincaram com elas, acompanharam-nas na escola, estiveram em casa com a família e, no final, descobriram onde estava o problema: todas as pressuposições da Lego sobre como as crianças gostavam de brincar estavam erradas.
"A Lego pensava que as crianças gostavam mais de playstations, de jogos fáceis e de encontrar instantaneamente diversão nas brincadeiras", explica Christian Madsbjerg. Mas a realidade era bem diferente. "Os miúdos continuavam a gostar muito de brincadeiras físicas, de coisas difíceis e não se importavam de perder tempo a descobrir como resolver o enigma de um brinquedo", conclui. A Lego teve então de mexer nas peças do seu negócio, acabar com alguns produtos e criar outros. As crianças voltaram.

Um desafio parecido colocou-se mais recentemente a Christian Madsbjerg, mas desta vez vindo das televisões, com a sul-coreana Samsung. Durante os últimos dois anos, a equipa do cientista social (que não é formado em antropologia mas sim em ciência política e filosofia) trabalhou em 14 países para ver como as pessoas usam as novas televisões de ecrã plano. "Apesar do sucesso inicial destas televisões, o seu preço estava a ser empurrado para menos um terço e o volume de vendas começou a cair", revela Christian Madsbjerg. Para a Samsung, era preciso dar a volta à situação.

Ao olharem para o modo como as pessoas usam a televisão hoje em dia e como ela se conjuga com a tecnologia, os antropólogos perceberam que algo tinha de mudar. "Em primeiro lugar, a televisão tinha de deixar de ser um pedaço de electrónica para ser uma peça que faz parte da mobília", diz Christian Madsbjerg.

Em segundo, tinha de deixar de ser apenas uma televisão para ser um "software", uma espécie de computador gigante com um tipo diferente de interacção. Como os resultados do projecto ainda estão a ser desenvolvidos e aplicados pela empresa, Christian Madsbjerg não pode adiantar muito mais. Mas uma coisa é certa: se um novo conceito de televisão sair em breve das fábricas da Samsung, terá uma costela de antropólogo.

Ir além da pesquisa de mercado

Enquanto na Europa o mais comum é as companhias recorrerem a pequenas ou médias empresas de consultoria e pesquisa etnográfica como a ReD Associates, nos Estados Unidos os antropólogos ganharam entrada directa nos negócios. Mas, tanto num caso como no outro, estão a tornar-se cada vez mais populares.

Segundo Ken Anderson, 53 anos, um dos 25 antropólogos da Intel, "as empresas perceberam a necessidade de conhecer as pessoas mais profundamente, os seus valores, esperanças, sonhos e os desafios que enfrentam, de modo a conceber e vender produtos". Para este antropólogo, as pesquisas de mercado já não suficientes, até porque só mostram uma face da realidade.
Ao deslocaram-se ao terreno onde as pessoas vivem e trabalham, onde compram e onde se divertem, os antropólogos conseguem descobrir as suas necessidades, mesmo aquelas de que as próprias pessoas não se deram conta. A diferença é clara: uma empresa de estudos de mercado pergunta o que as pessoas querem ou fazem, um antropólogo vê o que elas realmente fazem e consegue perceber o que querem.

Na base, um princípio semelhante ao que o norte-americano Henry Ford seguiu quando, nos primeiros anos do século XX, lançou a Ford: "Se tivesse perguntado às pessoas o que queriam, elas teriam dito cavalos mais rápidos". Nunca carros. Mas não, Henry Ford não era um antropólogo, por mais faro que tivesse. Na verdade, os primeiros antropólogos só começaram a fazer a sua entrada no mundo dos negócios algumas décadas mais tarde, por volta dos anos 30.
Nessa altura, as empresas aproveitavam as ciências sociais, incluindo a antropologia, para descobrir como tornar os seus trabalhadores mais produtivos. Só a partir dos anos 60 e 70, quando os gurus da gestão coroaram o consumidor como rei, é que algumas companhias começaram a recrutar antropólogos e outros cientistas sociais para conhecer melhor o seu público. A Xerox, empresa norte-americana conhecida por ter inventado a impressora, foi a pioneira.

Em 1979, dois antropólogos - Lucy Suchman e Julian Orr - integraram o centro de estudos da Xerox para estudar como as pessoas interagiam com a tecnologia. Ao observarem e filmarem a forma como era usada uma fotocopiadora, os investigadores perceberam que as pessoas tinham bastantes dificuldades em fazer uma mera fotocópia. Faltava simplicidade. A solução foi um botão verde a dizer "copy" ("copiar") em todas as máquinas da marca. E, ainda hoje, por mais funcionalidades que as fotocopiadoras possam ter, o botão continua lá.

Desde esses tempos cada vez mais antropólogos têm-se infiltrado no mundo das empresas. Actualmente, constata Christian Madsbjerg, "todas as grandes empresas mundiais que ainda não têm este tipo de profissionais estão a pensar recrutá-los, porque já viram que funciona". Para o responsável da ReD Associates, isso vai fazer com que a antropologia corporativa se torne, dentro de cinco a sete anos, uma "prática normal" dentro das empresas e não "especial", como ainda é vista hoje em dia.

Alex Taylor, sociólogo da tecnologia a trabalhar na Microsoft, partilha da mesma opinião. "A tendência é que as empresas tenham pelo menos alguém que possa fazer trabalho de campo". Para o profissional, que imerge no dia-a-dia dos consumidores em busca de novas ideias para a empresa (e sobre as quais se fecha em copas), a pesquisa antropológica "tornar-se-á um emprego fixo nas grandes empresas que lidam com os consumidores".

Fazer tábua rasa e desafiar preconceitos

Foi sobretudo com as empresas tecnológicas que a importância dos antropólogos se tornou mais visível. A intensa competição criada com a explosão da Internet e das tecnologias da informação fez com que os executivos do sector precisassem cada vez mais de saber como é a tecnologia afecta os consumidores e como eles reagem a ela. Isso permitiria avaliar qual o impacto dos produtos antes do seu lançamento no mercado, o que é fundamental para as empresas dado o elevado custo de fabrico dos produtos tecnológicos, mas também a noção (já provada em vários estudos) de que pelo menos 75 por cento desses novos produtos falham pela falta de um mercado.

Além disso, a entrada das empresas tecnológicas nos países emergentes tornou a pesquisa antropológica, mais do que uma vantagem competitiva, uma necessidade. É o caso da finlandesa Nokia, onde vários antropólogos trabalham com a equipa de design para "ajuda a criar novas ideias de como os telemóveis irão ser, funcionar e ser usados no futuro", explicou ao PÚBLICO Jan Chipchase.

Nos projectos que realizou recentemente na Índia e no Uganda, Jan percebeu que era preciso desafiar uma suposição errada: a de que os telemóveis são um produto individual. "Para muitos, o telemóvel é algo partilhado, usado por toda a família ou até alugado por empresários locais para uso de toda a aldeia", evidencia. Mas, sendo assim, faltava uma coisa aos telemóveis: listas de contactos diferentes para cada utilizador. Foi essa a aposta da Nokia.

Esta necessidade de pôr em causa conceitos pré-estabelecidos ou, melhor dizendo, de partir para o terreno sem nenhuns é o ponto de partida da pesquisa antropológica. "Começamos com um cenário limpo, sem hipóteses à partida, e prestamos atenção a todos os detalhes da realidade", explica ao PÚBLICO Melinda Rea-Holloway, 43 anos, socióloga que está à frente da Ethnographic Research (ER), uma das muitas empresas nos EUA que faz pesquisa etnográfica para grandes companhias. Pelas suas mãos, e dos colegas antropólogos, passaram empresas dos mais variados sectores como a Dell, Electrolux, Kellog's, Novartis e M&M Mars.

Um dos métodos mais usados pela ER é gravar em vídeo a maioria das suas intervenções no terreno. Contudo, realça Melinda Rea-Holloway, a pesquisa antropológica não pode ficar-se pela simples observação. Apesar de esta poder demorar meses ou até anos, é com a análise que os antropólogos têm de gastar a maior fatia do seu tempo. "Se gastar quatro horas a observar ou falar com alguém, preciso de 16 a 20 horas para analisar o material e tentar descobrir padrões e tendências", conclui.

Ed Liebow, 55 anos, sabe bem o tempo gasto com a profissão. O investigador, que é um dos 20 antropólogos a serviço da Battelle (organização norte-americana da área da ciência, saúde e tecnologia), trabalhou durante 15 anos com um grupo de físicos para tentar perceber o grau de contaminação a que as pessoas tinham sido expostas, com a produção e teste de armas nucleares nos EUA.

"Todos os modelos que havia baseavam-se em pressuposições eurocêntricas de quanto tempo as pessoas passavam fora de casa, o que comiam, que tipo de casas tinham", explica Ed Liebow. Ao substituir essas hipóteses pela observação directa, Liebow conseguiu mostrar que a exposição era bem mais elevada em alguns casos, permitindo melhorar os serviços de saúde a essas comunidades.

Portugal à margem

Extremamente atractiva para as empresas tecnológicas, mas também para as da saúde, banca, retalho e entretenimento, a antropologia está a conseguir conquistar ainda uma outra actividade: o marketing. Através dela, os antropólogos a trabalhar na publicidade conseguem fazer análises culturais e repensar problemas ligados a uma marca.

"A vantagem de um conhecimento mais profundo do consumidor ajuda a guiar o marketing em direcções mais criativas e a criar anúncios mais provocantes", diz Timothy Malefyt, 48 anos. O publicitário despertou para o mundo da antropologia depois de fazer o seu doutoramento em Espanha, a estudar símbolos nacionais de performance (como a música e dança flamengas). Hoje, dirige a unidade de pesquisa "Cultural Discoveries" ("Descobertas Culturais") da agência BBDO, enviando antropólogos para o terreno estudar o significado das marcas na vida das pessoas.

Em Portugal, parece ser só através do marketing que a ligação dos antropólogos às empresas ganha alguma visibilidade. De acordo com Susana Matos Viegas, presidente da Associação Portuguesa de Antropologia, alguns profissionais dessa área, ligados a centros de investigação ou universidades, estão a colaborar com empresas publicitárias. Contudo, "não é empregabilidade segura, mas apenas colaborações esporádicas", realça.

Um desperdício? A julgar pelo sucesso que estes profissionais têm tido dentro das empresas, poderia dizer-se que sim. Descoberta a sua capacidade de ver os consumidores ao microscópio, os antropólogos renasceram para o mundo dos negócios e, como diz Ed Liebow, estão a "dar vida aos números".

A Xerox foi a primeira empresa a ter antropólogos, em 1979. A Intel é a empresa com maior número de antropólogos: 25. Muitas companhias, como a Microsoft, IBM ou Nokia têm equipas de antropólogos, enquanto outras (Lego, Samsung, Kellog's, Pfizer, etc) contratam empresas de pesquisa antropológica. Várias empresas de marketing têm integrado nas suas equipas antropólogos e outros cientistas sociais.

Em geral, a pesquisa antropológica envolve uma observação minuciosa (em que o investigador pode participar ou não), entrevistas (em que é o entrevistado a orientar todo a conversa e não o entrevistador) e uma análise aprofundada, apoiada em teorias da ciência social.

Os antropólogos ajudam as empresas a perceber as necessidades dos consumidores, identificar oportunidades comerciais viáveis e estratégicas, minimizar o risco de inovação e desenvolver produtos mais eficazes do que a concorrência.

Christian Madsbjerg, da ReD Associates